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terça-feira, 9 de dezembro de 2025

O ESCOLHIDO

 

Foto: Getty Images

 

O campeonato mais longo da história não vai premiar injustiça. Quer dizer... nenhum campeonato é justo. Na verdade é o contrário. Quanto maior o campeonato, mais possível é errar. O acúmulo de erros pode definir um campeonato.

Em um calendário menor, erros são muito mais fatais. Esse campeonato teve uma mistura de 1999 com 1996 e 1997. Muitos erros em um calendário lotado, onde na maior parte do tempo dois pilotos da mesma equipe disputavam o título com um azarão quase fazendo história, que também só perdeu porque errou.

Todos erram. Raras são as temporadas perfeitas. De cabeça, dá pra lembrar de Vettel, Schumacher, Hamilton, Verstappen. O desfecho do campeonato não foi sobre quem errou mais ou menos. Qualquer narrativa pode ser válida.

Piastri errou na Austrália, bateu em Baku e sumiu na reta final. Norris bateu no Canadá e teve o motor estourado na Holanda. Verstappen bateu em Russell na Espanha, foi atropelado por Antonelli na Áustria e se viu na turbulência do fim da era Horner até a metade do campeonato, quando se deu conta de que poderia sonhar com a taça.

Ganhou o melhor carro. Parece pleonasmo ou alguém que descobriu a pólvora, mas em 2025 é um fato. O melhor piloto da temporada não foi campeão. Em 2012 não foi, em 2016 não foi também e tantos outros exemplos.

O grande mérito de Lando Norris foi crescer no pior momento, o chamado clutch pós-Holanda, quando tudo parecia se encaminhar para Piastri. O australiano deu uma de Webber (seu empresário) ou de Alonso contra Vettel? A única pulga atrás da orelha é tentar compreender como alguém que quase foi irrepreensível até Baku virou um Irvine no momento mais decisivo do certame.

Méritos para Norris, que foi um Hakkinen de 1999. Campeão “culposo”. Errou, mas brilhou quando poderia e quando precisava. Aliás, uma terrível coincidência, sempre ela: o cara simplesmente já é o que mais correu pela McLaren na história. Fruto de longas temporadas, os números evaporam com nossa tendência saudosista de proteger nosso passado perfeito.

Escrevi aqui, em 2017, para ficarmos de olho em Lando. Pois bem, o título veio quase uma década depois. Mesmo assim, não parece ser o melhor da atual geração. Excluindo Max, vejo Charles e Russell com mais ferramentas, mais completo. Norris tem o principal: o carro.

O trunfo é de Zak Brown. Há dez anos, o grande momento da McLaren no ano era Alonso brincar de cameraman em Interlagos depois do motor Honda pifar e ser alvo de chacota por anos. A reestruturação veio junto com o retorno do papaya, culminando no 13° título de pilotos da história, 17 anos depois daquele título de Hamilton em Interlagos, sempre no detalhe.

Quem aproveita a chance entra para a história. Não sabemos o que o novo regulamento nos aguarda. Alguém se importa com a carreira de Jacques Villeneuve depois de 1997? Pois bem...

Agora a pressão está em Piastri. Será que ele reage ou fica oficializado como o David Coulthard/Mark Webber da nossa geração? Em talento, é muito superior a ambos. Tem condições de personalidade e de política interna para ambicionar algo a mais? Só o tempo irá responder.

O bicho papão foi domado pelos problemas do próprio time. Nunca é demais para reiterarmos: jamais duvidar de Max Verstappen, aquele que consegue ter uma temporada maior quando é vice do que em 2023. É assim que os campeões são feitos, respeitados e imortalizados na memória dos fãs.

Aguardemos o que 2026 e a nova era da F1 tem a nos oferecer. 22 carros na pista é um sinal positivo. Só falta voltar com Sepang e eliminar 95% desses circuitos de rua horríveis, tirar o protagonismo de Abu Dhabi e diminuir o calendário de março para outubro. Corrida demais torna algumas etapas altamente dispensáveis até para o curso do campeonato.

Parabéns para o escolhido de Zak Brown há quase uma década: a Inglaterra e a McLaren tem um novo campeão do mundo.

Até!


segunda-feira, 8 de setembro de 2025

É PROIBIDO COMPETIR

 

Foto: Getty Images

Certas coisas são inevitáveis em um ambiente que, embora coletivo enquanto equipe, é estritamente individual, individualista e egoísta: a disputa de título.

A história não mente. Ao longo das décadas, vimos rivalidades lendárias, grande parte delas oriundas da própria equipe. Em muitas, amizades foram desfeitas e rivalidades viscerais entraram para a história. Eu sei em quais delas você está pensando.

A McLaren 2025 é a busca pelo inevitável. Carro dominante, dois pilotos protagonizando ponto a ponto o certame. É inevitável certas faíscas. Norris quase bateu em Piastri no Canadá e o que vimos foi alguém constrangido por querer tentar. 

O que vimos em Monza é a antítese do esporte. É a McLaren se intrometendo ao dizer que "não vai se intrometer". Quer deixar a disputa na pista, mas faz exigências para isso acontecer. A culpa não é só deles, claro.

Ninguém quer ser o vilão ou o primeiro a partir para o conflito. Imagem é tudo, né? Norris e Piastri se sentem confortáveis, querendo ser as vítimas. Nem parecem que estão disputando um campeonato mundial que, com o novo regulamento, talvez seja a única oportunidade, o único cavalo encilhado da vida de ambos.

Não é um pedido para a irracionalidade, a guerra ou a agressões, mas a equipe e os pilotos precisam querer competir. Quando a McLaren erra no pit stop do coleguinha, o "beneficiado" não tem nada a ver com isso. Pararam Norris antes porque quiseram, ninguém os obrigou.

Quando Lando abandonou na semana passada, por lógica, a equipe deveria mandar Piastri abandonar também? Afinal, o australiano ganharia uma vantagem fundamental graças a um "erro" ou "problema" que Lando não pode controlar. Seria injusto, afinal. Imagina se isso decide o campeonato?

A equipe pode pedir, perguntar ou exigir o que quiser. O problema é a personalidade do piloto aceitar. Há vários motivos para isso, mas, olhando de fora, parece que falta gana e o apego a imagem de bonzinho ou "ganhar com ética", como se beneficiar de um erro alheio fosse um problema moral ou ausência de caráter.

Pode ser que, no futuro, isso não faça diferença para Piastri, mas e Norris? Vai tentar algo diferente nessa reta final de campeonato? Alguém acha que um Piquet, Lauda, Prost, Clark, Fangio, Senna, Hamilton, Vettel, Schumacher, Alonso ou Hamilton fariam o mesmo? A risada de Max no rádio é a resposta emblemática.

Parece que, em 2025, ninguém quer ser campeão. Para a McLaren, tanto faz como tanto fez, mas os pilotos precisam querer mais. Até quando essa falsa camaradagem vai prevalecer? Todo mundo quer ver uma briga visceral e não excesso de fair play. 

Alguém vai precisar se sujar. Pode ser a única chance da carreira de ambos indo para o espaço.

Até!

quarta-feira, 3 de setembro de 2025

DIVISOR DE ÁGUAS?

 

Foto: Reprodução

Quando Lando Norris se equivocou, quase bateu em Oscar Piastri e acertou o muro dos boxes na reta final do circuito Gilles Villeneuve, por um minuto eu pensei: agora temos um campeonato.

Afinal, era o que precisava para acabar com aquele clima de camaradagem. São dois jovens pilotos, de muito talento e destinados desde sempre ao protagonismo, brigando pela glória máxima da F1. Eles não têm concorrentes. Apenas um ao outro, como sempre são os vizinhos de box, amplificados pela taça e a eternidade no horizonte.

Uma história semelhante com Hamilton e Rosberg. O título estremeceu eternamente uma relação amigável de infância, começando pelos incidentes de 2014. Ok, Piastri e Norris não são tão íntimos desde a tenra idade, mas há uma escalada de acontecimentos que atropelam boas intenções e relacionamentos.

Dá para lembrar de outros casos notórios do passado, que incluem obviamente Senna x Prost e os finais trágicos de Gilles Villeneuve e Didier Pironi na Ferrari.

É indiscutível que Norris se precipitou e tentou uma ultrapassagem impossível em um espaço inexistente. Erro de leitura provocado pela pressão? Talvez. Sempre vamos jogar com a obra pronta e os pontos na mesa. Lando está sentindo a responsabilidade.

Ele sempre foi a nova joia da McLaren, antes mesmo antes de chegar na F1, como mencionei por aqui há alguns bons anos. Ele tem a chance que o saudoso Vandoorne não teve, por exemplo. Nos dois primeiros anos, dominou o ainda não totalmente ambientado colega australiano.

Piastri também carrega um peso e uma pressão. Um cara que vence F3 e F2 em sequência é um talento raro, mas que poderia ter jogado tudo para fora ao romper com a Renault e conseguir, judicialmente, a vaga para a McLaren. Melhor projeto e um assento competitivo em vista. Por outro lado, estava entrando em um ambiente feito sob medida para Lando brilhar quando os papayas estivessem prontos.

E começaram a ficar ano passado. Ambos ensaiaram as primeiras vitórias, que virou um título de construtores que faltava desde os tempos de Ron Dennis, Hakkinen e Coulthard. Guardem esses nomes.

Zak Brown nunca escondeu a preferência por Norris. Talvez alguns não saibam, mas o pai de Lando tem muito dinheiro. Aporte não falta para McLaren, mas não é justo e nem correto dizer que o britânico só está lá por isso, muito pelo contrário.

Uma equipe traumatizada por Alonso e Hamilton, há quase 20 anos, certamente pensaria em “levar os meninos para casa” ao invés de fomentar uma briga no fim da corrida. A McLaren, apesar de já virtualmente campeã de construtores outra vez, fomentou a rivalidade, ou “sem preferências”. Nenhum dos dois pilotos aceitaria, obviamente. O resultado foi esse. Afobação e falta de controle.

A faísca é inevitável. Esporte de alto rendimento que é em equipe e individual ao mesmo. Ego e talento de pilotos nascidos e acostumados com o número um e os louros da vitória e do protagonismo.

Eu imaginei que Norris, mesmo equivocado, daria uma de Verstappen: ou minimizaria o erro, culparia a equipe ou abriria guerra pública com Piastri. Mesmo atrás na tabela, ele é o britânico do time. A pressão bateu em Lando. Dominou em duas temporadas de ambientação de Oscar. Agora que vale um brilho (ou melhor, o título), começa a sentir o incômodo de ver o protagonismo escorrendo das mãos e batendo no muro.

Ele fez o que se esperava de sua personalidade: colocou panos quentes na hora, se culpou e se desculpou com Piastri e a equipe pela “manobra idiota”. Sim, foi pouco inteligente, de fato, mas Norris também não precisa entregar mais pontos dos que os 10 que ele perdeu no Canadá e os 22 que Oscar abriu em uma decisão equivocada.

A McLaren também reforçou o erro do pupilo e, nos últimos dias, salientou uma preocupação: como Norris irá reagir a isso nas próximas corridas.

É verdade, falta muito campeonato pela frente. Quebras, erros, acertos e desencontros acontecem. Até aqui, Piastri parece mais centrado, equilibrado, consistente e menos propenso a erros e disputas que podem lhe custar pontos para o título.

Com a vantagem, mesmo que mínima, a tendência é que cada vez menos corra esses riscos, seja com Norris, Verstappen, Russell ou qualquer outro que esteja no caminho. Em uma briga pelo campeonato, é preciso olhar para o todo, para dezembro.

Talvez não tenhamos uma grande rivalidade visceral. A verdade é que isso foi um grande golpe para Lando, confirmado pelo mesmo e pela equipe.

A expectativa era para termos um Alonso x Hamilton ou um Hamilton x Rosberg.

No universo da McLaren, pode ser que o terreno se desenhe para que Zak Brown, Piastri e Norris sejam, respectivamente, Ron Dennis, Hakkinen e Coulthard, trinta anos depois.

A diferença, é claro, é que na época não havia brigas e todos sabiam o seu papel. Ron Dennis, no caso, era admirador incondicional do bicampeão, enquanto Zak escolheria, se pudesse, Lando para ser o rosto da equipe e do título que irá chegar para Woking depois de 17 anos.

No entanto...

Quando o motor da McLaren de Lando Norris estoura faltando poucas voltas para o fim do GP da Holanda, ele perde o segundo lugar (que já era ruim) e vê Oscar Piastri abrir mais 25 pontos de vantagem no campeonato, eu pensei: agora, ainda temos um campeonato.

Até!

terça-feira, 12 de agosto de 2025

A DERROTA INEVITÁVEL

 

Foto: Getty Images

Valorizamos a honestidade brutal, mas é difícil quando ela vai de encontro com as nossas crenças ou opiniões. Quando se chamou de inútil e que a Ferrari deveria procurar outro piloto, Hamilton foi extremamente sincero sobre o momento que vive na Ferrari nesses primeiros meses de equipe.

Isto é louvável. Um cara que compete em alto nível desde criança sem se eximir das responsabilidades impostas pelo trabalho e por ser, para muitos, o maior piloto da história. Por outro lado, há formas e formas dessa situação ser lidada. Que a cobrança e a frustração existem, sem dúvidas. Externar, dessa forma e publicamente, é que parece o problema.

Estamos lidando com imagem. Se o grande líder do projeto da maior equipe do mundo fala assim após uma sessão frustrante, qual a mensagem que isso passa para o público e os acionistas? Alesi e outras figuras importantes afirmaram que um Senna ou Schumacher jamais falariam isso dessa forma. Podem até sentir, mas não externar assim.

Não quero debater como alguém deve se manifestar porque é naturalmente ridículo e pretensioso. O que eu quero tentar aqui é entender o que se passa por trás desse tipo de manifestação. Isso vai muito além de um treino ruim, amplificado com a pole do companheiro. Sabemos disso.

Quem compete em alto nível sempre vai esperar excelência e vencer. Do contrário, não faz sentido se dedicar desta forma. Hamilton não precisa mais da F1 em qualquer dos aspectos assinalados: dinheiro, fama, poder, glória, etc. Por isso, a cobrança e frustração é genuína, principalmente quando é surpreendente no microfone para o mundo inteiro ver e ouvir.

Ao ser contratado para tirar a Ferrari da seca, Hamilton realiza um sonho de menino no último capítulo da carreira. É uma glória, mas também um peso. Ok, sabemos que Lewis passou por provações muito piores do que guiar e conseguir resultados em um esporte, mas o peso fica ainda maior para todo mundo que tenta repetir Schumacher.

Alonso e Vettel, os últimos campeões que chegaram, não conseguiram. Não existe combinação maior na transferência mais bombástica da F1 em quase 30 anos. Todos sabemos que o projeto é de longo prazo e o objetivo maior é a partir do ano que vem, quando o novo regulamento começa a entrar em vigor.

O problema começa quando as pessoas não entendem que Hamilton não está chegando na Ferrari no auge da carreira ou nos tempos de Schumacher onde era possível fazer testes ilimitados. A adaptação a um novo carro leva tempo, independentemente do talento ou da capacidade do piloto ser mais rápida e fácil ou mais lenta e difícil.

Do outro lado, não tem um Irvine ou um Barrichello, na figura de segundo piloto, por ali. É Charles Leclerc, no auge da carreira e com uma especialidade semelhante a de Hamilton: a volta lançada, não à toa o monegasco tem quase 30 poles na carreira sem ter um carro dominante. Por todo o contexto, não é um desafio fácil para Hamilton enfrentar o segundo companheiro de equipe mais difícil da carreira.

A grande questão que motiva o pensamento de Hamilton, externado de forma veemente após o qualyfing na Hungria, é que ele achou que seria fácil vencer Leclerc e ser dominante em um ambiente totalmente novo na carreira. Isso, certamente, vai levar tempo.

Hamilton e os fãs subestimaram não só Leclerc, mas um inimigo implacável: o tempo, a idade, o timing. Hamilton não está mais rápido do que no auge ou quando jovem. É inevitável perder décimos conforme o corpo desacelera, mesmo que os exercícios, a dedicação e a genética possam retardar ou esconder alguma coisa, mas os números são frios: é um piloto de 40 anos enfrentando outro de 27.

Vencer ou não Leclerc é possível e faz parte do jogo. No entanto, Hamilton precisa se acostumar com uma realidade triste para todos nós: ser derrotado por Leclerc, graças ao tempo. É inevitável.

Até!

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

O PRÓXIMO DA LISTA

 

Foto: Getty Images

O automobilismo brasileiro estava em um limbo até 2020, quando Felipe Drugovich começou a impressionar na F2 em meio a pandemia. Os frutos começaram a ser colhidos nos anos seguintes.

Se antes o Brasil não conquistava um título de fórmula em monoposto desde o Bruno Junqueira na F3000 em 2000, a nova safra deslanchou, começando com o próprio Drugovich. No entanto, os talentos que ali surgiam davam indícios e esperanças para uma nação ávida por um representante e, claro, um novo Senna para os saudosistas.

Já conhecemos a jornada de Gabriel Bortoleto e a ajuda de Alonso. O brasileiro, aliás, conquistou o melhor resultado na carreira e do Brasil em oito anos na F1. Hoje, vamos celebrar Rafael Câmara e o quarto título brasileiro em fórmulas em quatro anos. Estamos mal acostumados!

O pernambucano de 20 anos impressionou no kart a ponto de assinar com a academia da Ferrari antes de estrear nos monopostos, em 2021. Apenas nesta temporada é que o brasileiro chegou, depois de passar pelo FRECA, F4 e as competições de base do Oriente Médio, na F3. E foi uma temporada de gala.

Campeão com uma rodada de antecedência, Câmara repete o feito de estreantes do quilate do próprio Bortoleto, George Russell e Oscar Piastri a ser campeão como estreante. Bom frisar que seus adversários, apesar de serem mais jovens em termos de idade, são mais experientes na categoria. Ser campeão é ótimo. Conquistar a F3 com tamanha dominância se adaptando ao carro é impressionante.

As boas notícias não param por aí. Ao contrário de Bortoleto e Drugovich, Câmara já é apoiado por uma gigante desde muito cedo, quando observaram e captaram o talento do rapaz. Isso gera vantagens e atalhos. Obviamente, os resultados precisam acompanhar tudo isso, somada a pressão de "essere Ferrari". 

No ano que vem, Câmara já estará na F2, em equipe a ser anunciada. Sendo um piloto Ferrari, além do objetivo de chegar na equipe principal, a Haas é uma entrada interessante, sendo uma parceira dos italianos. Trajetória que o Bearman está seguindo. Estando na F2 e já com os pontos necessários para a superlicença, Câmara já poderia participar dos treinos livres. Para isso, a missão é continuar evoluindo no complicado grid da F2, que também terá um Fittipaldi alinhado para a próxima temporada.

Deixamos o futuro para o futuro. Agora, é comemorar porque não é todo ano que a safra brasileira conquista resultados tão importantes e entusiasmantes para o futuro no automobilismo mundial. O senso de vencer precisa estar mais aguçado principalmente para nós que não vimos "a era de ouro", no máximo o fim do apogeu com Barrichello e Massa.

Parabéns, Câmara!

segunda-feira, 28 de julho de 2025

NÃO É POR ACASO

 

Foto: XPB Images

É sempre bom lembrar que Oscar Piastri chegou como o rookie mais badalado e pressionado dos últimos tempos. Não é todo dia que alguém vence F3 e F2 de forma consecutiva. Há um período de adaptação ao migrar para a outra categoria, mas ele não sentiu isso. Também não é comum um cara com essas credenciais ter ficado um ano mofando na Alpine.

Também é incomum um novato colocar a equipe na justiça para assinar com a McLaren. Mesmo que tenha se saído vencedor, uma porta importante se fechou, embora outra tenha sido arrombada. Chegar na F1 com o peso dos títulos que chegou e a pressão de uma desgastante e estressante batalha judicial me levou a escrever sobre a pressão que o australiano carregava nos ombros.

Tudo isso se soma ao fato de chegar em uma equipe irregular e com um dono claro: Lando Norris. Não seria fácil. Outros talentos também chegaram com pompa de futuros protagonistas, mas naufragaram por estarem no lugar errado e na hora errada. Sim, sempre lembrarei de Stoffel Vandoorne por aqui.

Nos primeiros anos, o esperado aconteceu. Sem testes ilimitados, é preciso tempo para começar a andar próximo de quem está habituado. Piastri sofreu, mas ainda assim conseguiu sua primeira vitória na carreira. Ele e a McLaren cresceram na hora certa.

Isso seguiu. Na hora da pomada, a McLaren voltou a ser protagonista. De campeã de construtores, agora o título é mais do que realidade. O único rival é o vizinho da garagem. Piastri, agora, está mostrando porque foi disputado judicialmente, porque é campeão da F3 e da F2. Quando se adaptou e viu o que estava em jogo, está levando vantagem. Isso é um aspecto importante, sobretudo no mundo da F1 onde tudo é construído para um piloto e brigas internas não são sinônimo de coisas boas.

Na outra ponta do grid, Gabriel Bortoleto chegou com as mesmas credenciais. Campeão da F3 e da F2 em sequência. Tudo começou com um sonho, que foi virando realidade graças ao próprio talento e o apoio de um certo Fernando Alonso. Isso é mais importante que alguma academia de pilotos, talvez.

Justamente o mais talentoso da leva que subiu para a F1 ficou com a pior vaga, talvez justamente por não ser de nenhuma academia de pilotos. Estar na Sauber, cada vez mais Audi, é uma faca de dois gumes: sem possibilidade de pontuar, Bortoleto não seria muito exigido. Basta não errar, não bater e não ser tão inferior ao super experiente Nico Hulkenberg.

O pessoal esquece que Hulk sempre foi subestimado. Não a toa segue na categoria. Nunca precisou de grana para estar lá. Na F1, adaptação é tudo, conta mais que a idade. Bortoleto vai precisar de paciência que os brasileiros nunca terão. Só ano que vem ele estará inteiramente habituado a um carro de F1, considerando também os aspectos físicos.

O início e o senso espetacular de aproveitamento de Hulk já pressionam o garoto. “Pô, perdendo de lavada pra esse velho?” Ritmo inferior, azares e erros da equipe também tensionam o ambiente na blogosfera tupiniquim. Será que o campeão da F3 e da F2 não vai arranjar nada na F1? É um animal diferente? Vai flopar? Ir para a Indy?

Se não ganha, não presta. Já sabemos como a coisa funciona e a banda toca. Acham que estar atrás de Hulk é demérito. Bortoleto é o segundo piloto da parada e está evoluindo de forma nítida. A diferença são as estratégias e o ritmo de corrida, que o brasileiro está melhorando aos poucos. Ninguém desaprende a dirigir.

A F1 está cheia de exemplos de talentos da base que não viraram o que se imagina. Provavelmente Bortoleto estará nessa lista. Afinal, se não for campeão, já terá o carimbo de fracassado dos brasileiros.

Que todos consigam ver o talento que Fernando Alonso vê nele há anos. Que os primeiros pontos da carreira (e também do Brasil no grid desde 2017) deem mais tranquilidade para Bortoleto realizar seu trabalho e seguir evoluindo na carreira.

Afinal, não é por acaso que Piastri e Bortoleto conquistaram o que conquistaram e chegaram aonde estão. Não é por acaso.

Até!

quinta-feira, 10 de julho de 2025

A PERESTROIKA TAURINA

Foto: Getty Images

Fim de uma era. Christian Horner não é mais o chefão da Red Bull. Como em quase tudo nessa organização, a saída de cena foi a pior e mais fria possível. Tudo bem, o clima por lá está horrível há anos, mas o mundo dos negócios (ou da vida) é assim mesmo: você é lembrado pela última corrida.

Claro, Horner não saiu em virtude disso somente. É um acúmulo de problemas internos e que viraram públicos na Red Bull. Desde o escândalo do assédio a uma funcionária da equipe e a briga com Helmut Marko pelo controle do time após a morte de Dietrich Mateschitz. Quem mantinha Christian por lá eram os acionistas tailandeses. A julgar pelo que aconteceu, a queda de braço foi vencida pelo caolho.

A principal jogada pode ter sido feita pelo maior apoiador que um homem pode ter a essa altura do campeonato: Max e a família Verstappen. É nítido e notório que Max defende Marko, que o trouxe para a F1 ainda garoto. O pai, Jos, nem se fala. Se a escalada de acontecimentos pareciam ter chegado ao ápice anteriormente, por que a mudança abrupta, justo agora?

Se tratando de Red Bull, não é surpresa o modus operandi. Esqueça a subida de Lawson, a chegada de Hadjar em detrimento de Colapinto e a tentativa de comprar o time às escondidas depois da morte do Mateschitz. Algo bem simples surge como fato novo em 2025. O contrato e o futuro de Verstappen.

O holandês pode escolher o que fazer. Pela claúsula de desempenho, desse jeito ele pode sair da Red Bull ainda no fim do ano, mesmo com contrato longo. A imprensa europeia andou veiculando com veemência na semana passada uma possível aproximação com a Mercedes, que o sonda e namora há tempos.

Diante da iminente perda, era hora do último truque: tirar o chefe que Verstappen e o pai não suportam e passar tudo para o comando do amigo e aliado Helmut Marko. Ignore que ele é um senhor de idade avançada. Tirar Horner de cena, ignorando os 20 anos de sucesso com o time que ele criou, é o último recurso para a esperança da Red Bull ser, de fato, do jeito que Verstappen e seus aliados querem.

Talvez isso não seja o suficiente. E se Max se cansar do ambiente e optar por algo novo? Há a fadiga dos metais. Lembrem-se: a saída de Horner não é caso isolado. Newey e Wheatley, figuras fundamentais, também já tinham deixado a Red Bull. Sinal de como as coisas andam por lá? Pode ser que sim, pode ser que não, mas não é coincidência a queda da hegemonia da equipe, mesmo justificando o foco no ano que vem.

Pode ser que esse movimento não seja o suficiente para convencer Verstappen. Talvez ele tenha percebido que, para ser campeão, é necessário sair e, hoje, os taurinos não oferecem aquilo que ele quer, além da saída de Horner, é claro.

Laurent Mekies, que era o chefão da satélite Racing Bulls, vira o novo chefe de equipe. Como consequência, Alan Permane o substitui no time B da Red Bull. Ainda acredito que um Vettel vai voltar para ser consultor. A Red Bull precisa de referências porque o time está ficando sem elas e pode estar em vias de perder a principal de sua história, além de Horner, é claro.

Assim, de forma melancólica, chega ao fim a era de um dos chefes de equipe mais poderosos pós Ron Dennis, Briatore e Frank Williams. Ele certamente voltará. Estejamos atentos. Horner é capaz de voar sem precisar de energéticos.

Até! 
 

segunda-feira, 7 de julho de 2025

O FIM DA PRISÃO

 

Foto: Getty Images

O contexto vocês já sabem. Quando ainda tinha uma frequência diária por aqui, escrevi que, provavelmente, Hulkenberg na ainda Sauber era o mesmo que a gente aguardar o meteoro chegar por aqui.

Ele é o cara que menos tem a ver com a categoria e o que ela se tornou. Escrevi sobre isso em 2023. "Velho", sem academia de pilotos ou um patrocinador bancando, o tempo de Hulk parecia ter batido. Equipes e chances não faltaram. Azares e outras coisas resumiram a carreira desse competente piloto no "o cara sem pódios".

Enquanto escrevia isso, a ficção e a realidade se misturam de formas incríveis. Em meio a exibição da superprodução da Apple, fiquei pensando em como um filme, muito bem feito, tem suas nuances de pastelão e histórias não críveis. Para o cinema, é mais do que necessário. Afinal, sem a fantasia, qual o interesse em fazer um filme?

Brad Pitt, ou melhor, Sonny Hayes, mostram que algumas histórias podem não ser tão fantasiosas, por mais que o clichê da volta por cima de um underdog seja irresistível. É tiro e queda, é o arroz com feijão bem feito, bem temperado.

O alemão que prometia tanto nas categorias de base chega na F1, faz um barulho razoável, mas falha em dar o grande passo. Sempre fica no quase. É consistente, mas quando as coisas fogem do controle, ele desaparece. O tempo passa, os cavalos também e ele perde o bonde da história. Mais um bom piloto que, sem os números, acaba esquecido e até julgado de forma equivocada e injusta. A história é feita pelos vencedores.

Por isso uma certa desconfiança, ainda mais da geração drive to survive, quando Hulk finalmente volta para a categoria para guiar a Haas, até então o pior carro que ele guiou na carreira. Os mais jovens talvez não lembrem, mas Hulk fez chover naquela Sauber de 2013, a saudosa Sauber preta.

Mal saberíamos o que estava por vir. O piloto velho, que chamei de Roberto Pupo Moreno por ser um super trunfo na pandemia, tinha a última chance, que virou penúltima. Da Haas, uma aposta na Audi, ainda Sauber, pensando no futuro e o último capítulo da carreira.

"Igual aquele filme ou série que teve a continuação que não pediu, vamos ter um novo capítulo de Hulk na F1, o injustiçado, o melhor piloto que nunca pegou um pódio na história. Quem sabe o destino não está guardando algo para ele, tal qual fez com Baltazar e surpreendeu K-Mag em São Paulo?

O bonde passou, mas voltou. Hulk está a bordo."

Escrevi isso em 2022. Hulk mostrou hoje que a fábula de Sonny Hayes escrita por Hollywood não é uma hipérbole tão exagerada. O loiro galã, que teve os resultados que se esperava e tinha virado chacota ou desconfiança, vai para o pior carro do grid ao lado de um garoto promissor, que venceu a F3 e a F2 em sequência.

O carro de 2025 é um caso perdido, pois o foco está em 2026, quando a Audi vira Sauber. Cuidado, pois os suíços ainda estão no comando. 

A história vocês viram hoje: largando em penúltimo, com um dos piores carros, só uma corrida maluca poderia transformar o limão em limonada.

O destino finalmente começou a sorrir para o alemão. Em 2025, a competência dele também teve altas dosagens de sorte. Isso explica os pontos conquistados na Austrália e na Espanha, principalmente. Hoje, a pena tinha chegado ao fim.

Com a estratégia correta e, claro, a sorte que lhe faltou em 14 anos, o flerte com o pódio virou realidade. Não era mais piada. Hoje, Hulkenberg entrou para a história. Não é um pódio qualquer. É um pódio depois de 239 corridas, várias equipes, desilusões, anos ausente e com um carro que não é dos melhores. 

Nenhum desses ingredientes são inéditos na categoria, mas só Hulk consegue juntar todos esses contextos. Acrescente um detalhe maravilhoso: hoje, tivemos uma vitória da F1.

Escrevi também, em 2023, que Hulk era o último journeyman de uma categoria que não pertence mais a ele ou ao olhar que fui moldado, por exemplo. Numa era de jovens pilotos, drive to survive, academia de pilotos e pagantes bilionários, ver um cara que virou "lado B" atingir o auge justamente quando virou o patinho feio é uma vitória do automobilismo de verdade, que agora está em um caminho irreversível de se tornar apenas história. 

Hulk é o que sobrou desse romantismo. Claro que não considero os campeões quarentões porque eles são, justamente, campeões. Nico é a raridade entre os raros. Só isso importa.

Precisava voltar ao velho hábito por ele, por mim e pela F1. 

6 de julho de 2025: o dia que a prisão de Hulkenberg acabou. O sonho, agora, estava livre para voar.

Dino Viola, presidente da Roma quando a equipe venceu o bicampeonato italiano depois de 41 anos, falou mais ou menos isso, em trecho para o novo livro de Lorenzo Latini intitulado "Roma Scudetto - No porto com a bandeira", o que resume este momento:

"Esta conquista nos permite escapar da prisão do sonho. Chega de gaiolas ou grades: somos livres para viver este sonho e aproveitá-lo. Porque não há alegria maior do que acordar e perceber que aquele doce sonho finalmente é realidade."

Até!


sexta-feira, 16 de maio de 2025

A VELHA RAPOSA

 

Foto: Getty Images

Ele nunca esteve fora da F1, a verdade é essa. Flavio Briatore sempre foi o agente de Alonso e, na verdade, manteve seus tentáculos de forma somente mais discreta, digamos assim.

O banimento eterno, na verdade, foi uma suspensão para os europeus verem. Se Pat Symonds continuou na categoria e até trabalhou com a vítima Felipe Massa, o que teria de tão educativo em deixar de fora da mesa um dos caras mais poderosos do automobilismo em 30 anos? 

Ok, com a saída de cena, Christian Horner e Toto Wolff viraram os protagonistas porque agora Red Bull e Mercedes dão as cartas. Não acredito que Flavio seria um sucessor de Max Mosley ou Jean Todt, mas poderia ser considerado se ele quisesse. Um dos rivais virou o administrador da categoria: Stefano Domenicali. Só Ron Dennis saiu, mesmo.

Ano passado, o ensaio para o retorno oficial veio com a alcunha de "consultor", nome meramente vago para quem pode fazer tudo. Briatore sempre fez tudo. Mandava nos chefes e nos pilotos, agenciava uns e tratava outros como inimigos, desde Schumacher até Jarno Trulli, Nelsinho Piquet, Romain Grosjean e...

... E agora Franco Colapinto. O palco? A eterna Benetton, digo, Renault, digo Alpine. Uma crise que dura desde o retorno da montadora como equipe e que ceifou diversos dirigentes e chefes de equipe. Para Ímola, uma novidade: Oliver Oakes, o então chefão, se demitiu alegando "questões pessoais".

Quem chegou em seu lugar? Flavio Briatore. O novo velho chefe de equipe, não mais consultor da Benetton/Renault/Alpine. Habemus chefe! The Old Boss ou "Il Vecchio Capo". Dias depois, a especulação é Oakes se demitiu após o irmão William, seu sócio na empresa Hitech, foi preso acusado de "transferência de propriedade criminosa".

Se foi demitido ou não, se saiu por questões pessoais ou foi convidado a se retirar, o fato é que a velha raposa está de volta com os velhos poderes de sempre. Nesse caso, o cachorro velho não precisa de novos truques. Coincidência ou não, o piloto da academia da equipe, que assinou contrato para a F1 antes da chegada de Briatore, saiu.

Jack Doohan. Não era segredo. Todo mundo sabia desde o início que o filho do multicampeão de Moto GP tinha um contrato curto e seria substituído pelo argentino Franco Colapinto, que encantou Briatore e é o novo protegido da vez do italiano. Sem espaço na Williams e sem acordo na Red Bull, o argentino só precisava de um empurrãozinho para chegar em uma das vagas disponíveis. O empurrão veio através de questões pessoais ou prisões, mas tá lá.

O que esperar do novo parceiro de equipe de Pierre Gasly? A Alpine é uma bagunça há anos e todo mundo aguarda 2026. É verdade que Doohan não conseguiu mostrar muito, mas ser um novato que cai de pára-quedas é bem prejudicial, pois não há tempo e testes para se provar. Colapinto teve impressão positiva ao andar junto com Albon, mas também se acidentou bastante.

Em tese, ele também tem cinco etapas para mostrar algo e ser avaliado para permanecer ou não. Sendo um piloto de Briatore e chefiado pelo mesmo, desempenho não vai ser um grande drama, seja pela adaptação ou o contexto da equipe. Afinal, o que Alpine almeja para a nova era da F1?

A única resposta que sabemos é que a velha raposa irá continuar dando as cartas na França e em Enstone.

Até!

quarta-feira, 26 de março de 2025

ELES AINDA NÃO ENTENDERAM

 

Foto: Divulgação/Red Bull


Como esperado, em duas corridas Liam Lawson virou o pior piloto do mundo. Este título já pertenceu a Sérgio Pérez, Alexander Albon, Pierre Gasly, Daniel Ricciardo, Daniil Kvyat, entre outros...

Isso que nem considero os pagantes como Mazepin e Stroll, por exemplo.

Existem duas discussões distintas sobre a questão Lawson: ele já merecia subir direto para a Red Bull sem tanta experiência ou resultados que justificassem isso? Não.

Ele é um piloto ruim? Não.

Isso diz mais sobre o comando e a cultura da Red Bull do que os pilotos demissionários. Desde Vettel, a equipe se volta para um piloto só. Webber não foi vice nenhuma vez durante o tetracampeonato do alemão.

Até aí, tudo normal. Pega Hamilton com a Mercedes e a McLaren pós Alonso, Schumacher, o próprio espanhol, Hakkinen... A exceção é quando colocam dois pesos pesados, questões políticas ou quando um carro é tão superior ao resto que aí é permitido um conflito interno, vide Hamilton vs Rosberg.

É evidente que a Red Bull vai fazer tudo ao redor de Max Verstappen, desde o carro até as características que extraiam o melhor do estilo de pilotagem. Vocês são inteligentes. Todo mundo que pega esse segundo carro vira um pangaré constrangedor. Será que todos eles são ruins?

Qual a solução? Daqui a pouco, Lawson será a próxima vítima. Os cotados para irem a abatedouro são Tsunoda e até Franco Colapinto, o cara mais assediado do paddock no momento.

Como recusar a Red Bull, que tem duas equipes? Dizem que Tsunoda sai no fim do ano, quando também se encerra a parceria com a Honda. 

A regra não permite um carro por time, mas há solução para os taurinos? Como fazer com que um piloto razoável não pareça um Ide para Helmut Marko?

Perseguiram Checo por anos, pediram a cabeça dele por um novato mediano qualquer e o resultado está aí. Eles não entenderam. Alguns de vocês também não.

Espero que, agora, que os pingos tenham ficado em todos os is.

Até!


segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

SEM GELO

 

Foto: Getty Images

2025 é o ano que marca o retorno de um piloto brasileiro ao grid. Essa informação é importantíssima não só pelo nosso patriotismo, mas também pelo que ela significa. O Brasil e a América do Sul são mercados importantes, sobretudo nas redes sociais, agora tão fundamentais para quem administra o negócio.

Por outro lado, 2025 também marca o fim, pelo menos agora, de uma era também importante. Embora não seja algo notório em termos de mercado, a tradição da Finlândia é inegável. Quatro títulos mundiais, três nos últimos 36. Um a cada 12. 

Tudo começou em 1974. O desbravador do país foi meu xará, Leo Kinnunen. Em seis tentativas, ele só conseguiu participar da corrida da Suécia, onde abandonou. Em 1977, Mikko Kozarowitzky tentou outras cinco participações, mas não conseguiu participar do grid.

Em 1978, a estreia de Keke Rosberg. A carreira dele vocês já devem conhecer: passagem na Copersucar e o título pela Williams em 1982 com apenas uma vitória na temporada. 

Com a saída de Valtteri Bottas, a F1 não terá finlandeses no grid, o que acontecia desde 1988. Tudo começou com JJ Lehto, que entrou na categoria em 1989, três anos depois da aposentadoria de Keke Rosberg, o campeão de 1982 (Bem, se Nico, o filho, escolhesse a nacionalidade do pai, seriam cinco títulos; 4,5, por que não?)

O piloto mais importante nessa era, indiscutivelmente, foi Mika Hakkinen. Ele entrou na categoria em 1991, mas despontou em 1993 ao chegar na McLaren e substituir Michael Andretti, sendo companheiro de equipe de Ayrton Senna por alguns meses. O resto é história: bicampeão mundial e uma aposentadoria até precoce, se considerarmos a longevidade de Alonso, Hamilton e o compatriota que o sucedeu.

Kimi Raikkonen. Já escrevi sobre ele no blog e até sobre a história da Sauber. Foi o mais jovem a estrear, pulou etapas e causou a mesma polêmica da precocidade e queima de barreiras que um certo Max Verstappen repetiu na década seguinte.

Escolhido por Ron Dennis para substituir Mika, Kimi flertou vários anos com o título, sendo parado pela Ferrari e por Michael Schumacher. Coube ao homem de gelo conquistar o único título em um ano menos brilhante que nos tempos do time de Woking (sempre repito meu pensamento: a primeira imagem de Raikkonen, para mim, é na McLaren, assim como Hamilton), o primeiro e último após a era do heptacampeão.

Junto a Hakkinen e JJ, outro Mika, o Salo, também teve seu efêmero momento de protagonista. Em 1999, ele substituiu Schumacher na Ferrari quando o alemão quebrou a perna no acidente de Silverstone e só voltou no fim daquela temporada. Sendo o segundão de Irvine, Salo teve a honra de pilotar o carro vermelho e até fez dobradinha com Eddie em Hockenheim.

Kovalainen manteve a escrita de finlandeses na McLaren, mas foi discreto. Teve destaque na Renault e caiu no lugar certo após a implosão da dupla Alonso-Hamilton. O piloto B de Lewis Hamilton teve uma única vitória na categoria, naquela corrida que até hoje dói só de lembrar...

O último dos moicanos nós acompanhamos mais recentemente. Valtteri Bottas. Ele saiu direto do título da GP3 para a titularidade na Williams. Tudo graças a Toto Wolff, seu empresário e na época ainda acionista do time de Frank. Fazendo o que podia, teve dois momentos de sorte que alavancaram a carreira.

Primeiro, no novo regulamento de 2014. O motor Mercedes transformou um dos piores carros em um dos melhores naquele instante, e Bottas aproveitou para fazer pódios e superar Felipe Massa. 

O segundo golpe de sorte foi a aposentadoria repentina do filho de finlandês, Nico, após o título mundial. Sem muito tempo para pensar, Toto lembrou do piloto agenciado e Bottas teve a sorte grande: ser piloto da equipe que dominou a F1 por sete anos.

É claro que Bottas não podia e nem tinha condições de disputar títulos com Hamilton, mas a hegemonia e as longas temporadas lhe renderam estatísticas importantes: 10 vitórias e 20 poles. É o melhor finlandês não campeão do mundo da F1.

O UOL tentou responder uma pergunta que até hoje é pertinente: como e por que um país de apenas 5 milhões de habitantes tem tanto sucesso na categoria?

Em 2021, Bruno Madrid entrevistou Emma Kimiläinen, que na época pilotava na W Series, que elencou alguns motivos: “Os finlandeses dirigem em diferentes condições. Nosso clima varia muito, então guiamos no calor e no frio, no molhado e no seco”.

A Finlândia tem paixão por carros, esquis e esportes que envolvem motores. A geografia, repleta de florestas e lagos, também contribuiu para a “formação” do piloto finlandês. Há um ditado inglês que afirma: “se quer vencer, contrate um finlandês”.

Bem, com a ausência de um piloto local, a tendência é que a cobertura da categoria no país tenha um movimento de queda, certo? Não é o caso, ao menos é o que diz Jussi Ranta, chefe de esportes da Finlândia. 

O natural interesse do finlandês por automobilismo, somado as futuras mudanças da categoria e o impacto da ida de Lewis Hamilton para a Ferrari, uma das grandes notícias do esporte nos últimos tempos, são fatores citados por Ranta a Viaplay, a emissora que cobre a F1 no país.

E agora? Sem Bottas, qual o futuro da Finlândia na F1? É uma pergunta difícil. Apesar de todo o apoio e investimento da iniciativa Flying Finn Academy, 5 milhões de habitantes não são 100 ou 200. Chegar no topo é bem complicado.

Nas categorias inferiores, pode ser que haja uma esperança de continuidade no legado. Ano que vem, Tuukka Taponen vai correr na F3. Ele é piloto da academia da Ferrari e nesse ano foi o terceiro colocado na FRECA, que teve como campeão o brasileiro Rafael Câmara, também vinculado a academia italiana.

O que sabemos é que, por enquanto, a F1 estará sem os finlandeses voadores e de gelo. Espero que o retorno seja o mais rápido possível.

Até!


terça-feira, 10 de dezembro de 2024

GERACIONAL?

 

Foto: Divulgação/F2

Leclerc, Russell, Piastri e Bortoleto. O que eles têm em comum? Todos venceram de forma consecutiva a F3 e a F2. Também sempre foram tratados como grandes promessas, hoje estabelecidas como protagonistas da F1.

É nesse grupo seleto que o brasileiro entrou após ser campeão em Abu Dhabi. A adaptação de uma categoria para a outra é sempre difícil e geralmente requer tempo. Geralmente. Para os especiais, o impacto é imediato. 

O grande bicho-papão da base, Andrea Kimi Antonelli, foi “só” o sexto. Calma. O hype não esvaziou. Isso só mostra o feito de Gabriel, ainda mais com a Invicta. Consistência, agressividade, frieza e inteligência. Fernando Alonso não apostaria em alguém que não mostrasse essas credenciais.

Já vimos fenômenos da base não confirmando (sempre lembrarei de Vandoorne). Muitas vezes o título na categoria abaixo da F1 não quer dizer muita coisa. Muitos anos de experiência tornam uma certa obrigação conquistar o título, ainda mais quando os principais talentos já sobem para a categoria principal. Aí entram Pantano, Valsecchi, Palmer, Drugovich, De Vries...

Bortoleto conquistou o título com um grid de nomes promissores, tanto é que Bearman, Colapinto e Doohan estiveram/estarão na categoria. Hadjar e Paul Aron estão no radar.

De novo: Bortoleto simplesmente repetiu Leclerc, Russell e Piastri. A diferença é que o brasileiro parou na pior equipe do grid. Sorte, destino, oportunidades na hora certa e no momento certo... 

É um problema isso? Talvez não. Vai depender se a Audi vai chegar bem a partir de 2026. Bem, aí sim tudo vai depender do contexto e de como o brasileiro vai se portar.

Agora, o momento é de celebração. Depois de oito anos, o Brasil volta a ter um piloto na F1. Dois títulos da F2 em três anos. E tem mais gente chegando por aí.. (Oi, Rafael Câmara!)

Portanto, deixo a pergunta para vocês: ao repetir o feito dos talentos atuais da F2, é possível afirmar que Gabriel Bortoleto também é geracional?

Respondam nos comentários.

Até!


segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

MAX, CHEGOU A HORA!

 

Foto: Mark Thompson/Getty Images

Esse texto está pronto desde antes do início da temporada. A expectativa era óbvia e se confirmou, embora em um roteiro diferente: Max Verstappen é tetracampeão mundial antecipado. 

Bem, ele igual o sogro, Nelson Piquet, ao coroar o título dessa vez em Las Vegas e com uma novidade: a Red Bull não é o melhor carro, e sim o terceiro. É isso que aponta a tabela de construtores. O que podemos concluir diante disso tudo?

O talento de Max faz a diferença, é claro;

A Red Bull aproveitou com exatidão o último momento onde sobrava para construir a gordura que garantiu, ao menos, a conquista de pilotos;

A McLaren, o melhor carro e futuro campeão dos construtores, ainda não voltou a ser uma equipe grande e comete muitos erros. Lando Norris não está pronto para ser um líder de time ou alguém considerado um futuro campeão do mundo.

As quatro equipes terem se embolado da Espanha em diante ajudou Max que, mesmo em dificuldades, não tinha nenhum adversário a altura. Os que poderiam incomodar não tinham carro para isso, como por exemplo Hamilton.

Bem, eu já pensava sobre o assunto do texto, mas o rumo da temporada pode mudar um pouco a argumentação, eu acho, mas vamos lá: 

Chegou a hora de Max Verstappen dar o próximo passo, que é sair da Red Bull.

Vocês lembram o início do ano: acusações do lado de Helmut Marko contra Christian Horner e os interesses internos do time, que virou uma pólvora depois da morte de Dietrich Mateschitz.

Talvez isso tenha antecipado e acelerado a saída de profissionais importantes da Red Bull, entre eles Jonathan Wheatley e, claro, Adrian Newey.

Esse é outro ponto fundamental. Já começando o processo de “quarentena”, Newey não desenvolveu mais o carro a partir do prosseguimento da temporada. Coincidência ou não, os taurinos despencaram até se tornar, na pontuação, a terceira força do campeonato.

Claro, sabemos que o segundo carro da equipe é feito para incinerar pilotos. Não pensem que um Lawson, Colapinto ou qualquer outro jovem faria muito diferente do que Pérez está fazendo. Vocês não sabem que a estrutura é feita para Verstappen. 

Assim como os grandes campeões, os segundões não tem muito o que fazer, vide Johnny Herbert, David Coulthard, Eddie Irvine, Rubens Barrichello, Giancarlo Fisichella, Heikki Kovalainen, Valtteri Bottas, entre outras.

Assim como os grandes campeões e outros nomes notórios, a partir do tetra e de todas essas condições que certamente Max conhece melhor que nós, chegou a hora do holandês tomar uma decisão:

Ele precisa deixar a Red Bull.

Quatro títulos na mesma equipe já é o suficiente. É difícil arriscar dessa forma, mas o novo regulamento de 2026 é uma incógnita. Há pouco tempo e margem para qualquer tentativa e erro, mas a Red Bull pode estar dando indícios de passagem de bastão e 2024 ser o canto do cisne em termos de dominância, a não ser que tudo esteja sendo guardado para 2026.

A saída da Red Bull não é nem uma questão de debandada de profissionais, fim de festa e natural relaxamento de todas as partes, mas também a necessária construção de um novo capítulo que os grandes campeões sempre fazem para se desafiar: trocar de equipe.

Schumacher deixou a bicampeã Benetton para ressuscitar a Ferrari. Demorou, mas deu certo. Claro, os tempos eram outros e os testes infinitos. 

Nos contemporâneos, Vettel e Alonso tentaram, por diferentes razões e chegaram até próximos dos títulos. Hamilton fez a escolha mais certeira da carreira ao abandonar a equipe da infância (claro que é fácil escrever isso mais de dez anos depois), mas os grandes campeões, ou quase todos eles, deixaram a zona de conforto em busca de um desafio maior.

Hamilton, quarentão, vai realizar o sonho de ser um Ferrari e quem sabe ser o cara a quebrar o jejum de já 18 anos.

Verstappen escolheria o lugar que quisesse para fazer isso. Uma ida para a Mercedes seria um plot twist, a Ferrari pós-Hamilton é sempre sedutora por si só e reconduzir a McLaren aos tempos de glória é motivadora.

Sem contar que, com Adrian Newey e Stroll, vai que a Aston Martin não vira uma opção, embora seja algo mais pensamento desejoso de minha parte do que qualquer evidência.

Me parece que Max Verstappen cumpriu um último capítulo de glória no ciclo Red Bull.

Para entrar de vez no debate dos maiores da história, excetuando a frieza dos números numa época em que tem mais corridas por ano, menos quebras e mais dinastias, Max se desafiar em uma outra equipe é pelo legado no panteão da F1.

Só não sabemos se ele tem esse ego para permitir a mudança ou está satisfeito do jeito que está o que, convenhamos, é difícil de acreditar. A maioria dos grandes campeões não é feito disso, nem próximo desse material.

Até!

quarta-feira, 6 de novembro de 2024

BORTOLETO E O PERTENCIMENTO

 

Foto: Divulgação/Sauber

Não era sonho. Virou realidade. Apenas errei a equipe. Finalmente chegou o dia que todos estávamos esperando desde 2017: o Brasil volta, depois de oito anos, a ter um piloto brasileiro como titular na F1.

Gabriel Bortoleto, entre idas e vindas, finalmente foi anunciado pela Audi/Sauber e será companheiro de Nico Hulkenberg. Como escreveu meu amigo Bernardo Alves, extasiado pela experiência Interlagos (preciso escrever sobre isso outra hora), Hulk vive o outro lado da moeda.

Quando chegou na F1, tinha um brasileiro veterano como companheiro de equipe (Rubens Barrichello). Agora, quinze anos depois, ele é o veterano do lado de um brasileiro novato. Será que Gabriel consegue a pole em Interlagos no ano de estreia também?

Fundamental Bortoleto estrear já em 2025. As especulações sempre colocavam Bottas em mais uma temporada e o brasileiro começando só em 2026. O finlandês e Zhou se despedem da categoria. Dizem que Valtteri pode ser o reserva da Mercedes. Vou abordar uma estatística interessante em outro texto futuro.

Voltando ao assunto, o brasileiro precisava estrear imediatamente na ainda Sauber por uma questão de adaptação. Ficar um ano parado, considerando que as chances de vencer a F2 são altas (ele é o atual líder), seria estrear em um novo regulamento muito destreinado. As possibilidades de fracasso, considerando o companheiro de equipe experiente que ele tem do lado, são altíssimas.

É chover no molhado escrever sobre as qualidades de Bortoleto. Não é qualquer um que vence a F3 e a F2 logo em seguida, ou ao menos é competitivo na temporada de estreia. Tudo bem que as coisas ficaram equiparadas neste ano, mas recentemente só Oscar Piastri conseguiu essa façanha.

A diferença que separa um talento comprovado entrar na F1 ou não é o timing e as ligações. Bortoleto não conseguiria nada sem Fernando Alonso e sua agência. Os acordos, as influências, tudo faz a diferença além do talento ou do dinheiro. 

Além do fato de um dos maiores consumidores da categoria, foi a A14 que ligou Bortoleto a ser reserva da McLaren. Novamente, os contatos, ligações e desempenhos facilitaram o caminho para o brasileiro chegar no topo do automobilismo.

O futuro parece incerto, mas ao mesmo tempo promissor. Ser escolhido pela Audi não é qualquer coisa, ainda mais nesse momento de chegada na categoria. Tá aí, duas coisas que jamais poderia imaginar juntas: a Audi na F1 e com um brasileiro na equipe.

É óbvio que a Audi vai precisar se ambientar nas primeiras temporadas enquanto trabalha para chegar em 2026 com menos desvantagem, diante do contexto onde tudo será novo para todo mundo. Claro, todas as equipes estão concentrando esforços para isso. Começar bem o novo regulamento é sempre indicativo de trabalho bem feito no médio prazo.

O público vai precisar ter paciência com Bortoleto. Os chefes também. A tendência é encarar dificuldades iniciais. A Sauber está zerada nesta temporada. Brigar por pontos não é uma realidade tão próxima, assim como superar Hulkenberg, principalmente nos treinos.

Se desenvolver, conhecer um carro de Fórmula 1, pegar confiança e se sentir prestigiado na equipe, além dos suíços-alemães fazerem a parte deles.

Obrigado, Fernando Alonso. O futuro ninguém sabe, mas a possibilidade de nos emocionarmos com alguém do nosso país na F1 é uma sensação de felicidade estupenda.

Foi preciso perder oito anos disso para valorizarmos quem chega lá. O mundo não é feito apenas de campeões. É possível ser vencedor só ao chegar entre os 20 melhores sem ser filho de alguém ou um cheque em branco humano.

Que a gente não desfaça de Bortoleto igual fizeram, principalmente, com Rubinho e Massa.

Até!


segunda-feira, 9 de setembro de 2024

A NOVA "NOVA GERAÇÃO" E O ÓBVIO

 

Foto: Getty Images

Quanta coisa mudou desde então, né? Apesar de todo o esforço da Red Bull em perder o campeonato em uma queda vertiginosa à la Williams 1997 (coincidentemente quando também um certo Adrian Newey deixou o time), a McLaren está mais preocupada com os construtores do que tentar impedir o tetra de Max. Os motivos? Vou desenvolver em outro texto, mas talvez a equipe sinta que Lando Norris não vai ser o cara.

Bom, desde então, muitas mudanças para os assentos da F1. Ocon, chutado da Alpine, vai ser o líder da Haas. Com poucas opções, é melhor escolher certos lugares do ficar a pé, ainda mais que o francês não é mais garoto e a fama de péssimo companheiro de equipe já pesa para algumas avaliações. Na Haas, é agora ou nunca para tentar ter uma relevância que nunca conseguiu ter, de fato, na categoria.

Seu parceiro será Oliver Bearman. Não é novidade, por dois motivos: é da academia da Ferrari, já tinha corrido pela equipe na Arábia Saudita e feito outros testes com a própria equipe. Ok, foram três. Os americanos mudam o perfil: saem dois experientes, entram um jovem experiente e um novato. O inglês é o legítimo caso de estar no lugar certo e na hora certa. A oportunidade passou e ele agarrou. O que esperar? Paciência para 2026.

Passamos para os próximos passos, muito mais surpreendentes. Primeiro, começamos por Franco Colapinto. Muito remotamente, acompanhei ele na F3 e sempre foi dito que era um piloto talentoso, rivalizando com outros expoentes que já subiram.

Além do fato de ser o primeiro argentino na categoria desde Gastón Mazzacane em 2001 (quem não lembra da histórica ultrapassagem no Hakkinen em Indianápolis 2000?), o mais interessante foi a escolha do time agora capitaneado por James Vowles, ex-Mercedes.

Por ainda usar os motores Mercedes, uma gestão mais antiga teria perfeitamente optado por antecipar a estreia de Kimi Antonelli no time no lugar do Sargeant, até pela estreita relação de Vowles com Toto Wolff, ex-acionista de Grove. No entanto, a Williams escolheu por alguém da própria academia de pilotos, a exemplo do que fez com o americano.

É uma grande oportunidade para Colapinto. Mesmo com prazo de validade e esquentando o robusto banco de Carlos Sainz, nunca se sabe o dia de amanhã. O próprio espanhol está lá por falta de opção, assim como Albon. Vai que de 2026 em diante o mercado mude... o argentino, se fizer o básico, que é não bater igual Sargeant, fica bem posicionado para continuar sendo reserva. Além do mais, pode continuar impressionando na F2. Um movimento surpreendente, interessante e ambicioso da Williams, que tenta voltar aos áureos tempos.

Por fim, a Alpine. Depois de perder Piastri e Alonso, a equipe entrou numa espiral negativa. 2024 é um desastre, que culminou na relação Gasly e Ocon, que já era horrível na base. Nem o fato de serem compatriotas numa equipe francesa poderia diminuir esse impacto. Pelo contrário. Tudo ficou pior, começando pela equipe de Enstone ser uma bagunça administrativa. Tanto é que optaram pelo retorno dele, Flavio Briatore. Até pensei em escrever algo sobre como poderia ser positivo a volta de um personagem emblemático, talvez o último que represente a F1 antes de ser subjugada pelas montadoras, mas também mostra que, na Europa, não é só na Itália que tudo termina em pizza.

Jack Doohan. O quanto o sobrenome do pai, pentacampeão da Moto GP, pode ter pesado nisso? Bom, além disso, os franceses optaram por alguém da academia de pilotos. Piastri não podia, mas Doohan, de resultados não tão chamativos na base, esse ano está apenas como reserva do time, sem ritmo e inexperiente para a categoria.

Qual é o dedo de Briatore nessa escolha? Tudo fica muito estranho, principalmente se considerar que Doohan disputou a vaga contra Mick Schumacher e tudo isso só aconteceu porque Sainz preferiu ir para a Williams do que voltar para a ex-Renault. Tempo de contrato e projetos foram os motivos, provavelmente.

A verdade é que a Alpine é um barco a deriva que nunca navegou na direção certa. A volta de Briatore é uma tentativa desesperada de correção de rumos. No entanto, qual a verdadeira jogada por trás disso? Usar Doohan igual Grosjean e Nelsinho na década passada? Não tem um Alonso ou um líder dessa vez, Gasly passa longe desse perfil. Não me parece também que Doohan seja um Kovalainen, alguém que sobreviva na F1 sem o apoio da Alpine/Renault.

Na Mercedes, a escolha foi por Kimi Antonelli. Wolff nunca considerou outro nome. Se olharmos agora que o anúncio foi feito, tudo faz sentido. Acelerar o italiano direto para F2 era uma prova de como os alemães enxergam esse prodígio. É um passo grande, mas somente os grandes já fizeram isso. Lembremos de Kimi Raikkonen, Max Verstappen e até mesmo Valtteri Bottas pulou etapas para chegar na categoria.

Apesar de altos e baixos na F2, o que é normal, Antonelli está em crescente. A real é que o desempenho na base importa pouco se você é visto como um fenômeno, como parece ser o italiano. Escrevi aqui que ele é o novo Verstappen, ou ao menos ninguém teve tanto impacto na base desde a ascensão do holandês.

Tantos fenômenos da base não viraram nada, como por exemplo Wehrlein. Sainz nunca foi um primor e chegou na F1 com o sobrenome e o apoio da Red Bull. Virou até piloto da Ferrari. Junto com Russell, é uma dupla jovem e apostas de talento para o período pós-Hamilton. Um perfil distinto do que levou os alemães para o tempo. Os dois vão precisar de tempo, mas se Antonelli confirmar o que promete, teremos um novo talento geracional para brigar e quem sabe destronar Max Verstappen.

Os casos apresentados aqui concluem o óbvio. A era que eu tanto temia chegou com tudo na F1. Para os novatos, a porta de entrada é uma só: academia de pilotos. Isso vale mais do que títulos ou desempenho na base. Claro, se você tiver muito dinheiro nem isso é necessário, como vemos no caso de Stroll.

Com apenas uma vaga restando para 2025, na Sauber/Audi, resta saber qual vai ser o critério da escolha dos alemães/suíços: com Hulkenberg, a cota experiente está preenchida. A outra metade será jovem de academia, jovem endinheirado ou um mix?

Gabriel Bortoleto, com a McLaren e agenciado por um certo Fernando Alonso, pode ser uma mistura de talento, academia e bom trânsito no paddock de seus resultados, personalidade e, claro, seus representantes.

Até!


quinta-feira, 4 de julho de 2024

A CHANCE DE BORTOLETO (SONHAR NÃO CUSTA NADA)

 

Foto: Joe Portlock/Getty Images

No último final de semana, Gabriel Bortoleto venceu a primeira corrida na F2. O atual campeão da F3 veio cercado de expectativas para essa temporada, onde muita coisa mudou. Os bólidos são novos. Tanto os mais experientes quanto os “novatos” da categoria partiriam do zero.

Ainda assim, o brasileiro precisou se adaptar. Ainda está nesse processo, na verdade. Apesar da categoria dar muitas possibilidades de pontos, erros prejudicam bastante na briga pelo título. A degradação rápida dos pneus impediu Bortoleto de resultados melhores, assim como problemas no carro e dificuldades em algumas largadas, principalmente nas primeiras corridas.

Depois de “tirar uma tonelada das costas” ao vencer pela primeira vez, Bortoleto, na ex-Virtuosi, é o terceiro colocado na tabela. Na frente, somente Isack Hadjar e o regular Paul Aron. Com esse carro, o crescimento no desempenho e o talento que possui, o brasileiro é certamente candidato ao título da categoria, conquistada recentemente pelo Felipe Drugovich.

Vai ser uma disputa interessante. No entanto, fica a pergunta, por mais paradoxal e até mesmo absurda que seja: é bom ser campeão da F2 justamente agora?

A questão é simples: com a F1 cada vez mais nichada e difícil para jovens pilotos, ser campeão não significa muita coisa ou uma chegada imediata na categoria. Só lembrar que Drugovich não conseguiu e Piastri teve um ano sabático até finalmente assinar com a McLaren após uma disputa judicial.

Bom, quais seriam as possibilidades de Bortoleto, então? Se não for campeão nesta temporada, certamente ele vai continuar na F2. Mais experiente e adaptado, será um candidato ainda mais forte a disputar a taça. No entanto, é fundamental convencer as grandes equipes a partir daí. Do contrário, o holofote não é mais o mesmo. Drugovich brilhou no terceiro ano de F2, mas não foi o suficiente para seduzir uma vaga como titular.

Bortoleto hoje é da academia da McLaren. Bom e ruim. Estar numa equipe grande ajuda, mas sabemos que é impossível neste momento ser titular da F1. Norris e Piastri não vão sair. Surgiram até boatos que o brasileiro pode ser enviado para a Indy em um futuro próximo. Bortoleto precisa considerar essa possibilidade, mas como a última opção. Sabemos que a ida para o automobilismo americano representa, na grande maioria dos casos, o fim do sonho europeu.

Qual seria, então, a possível alternativa do brasileiro para ingressar na F1, sobretudo a partir de 2026, com o novo regulamento em vigor?

Aí entram duas questões. Bortoleto é contratado pela A14, a agência de talentos de um certo Fernando Alonso. Ou seja: é um excelente contato e com penetração pela F1 e as equipes. É simplesmente o pupilo do piloto com mais largadas na categoria, bicampeão e um dos melhores da história, pessoal. Não é pouca coisa.

Outro detalhe importante que surgiu nos últimos dias e reforçou o meu devaneio para escrever esse texto: o retorno de Flavio Briatore para a Alpine. Os franceses, em crise, confirmam Gasly e podem anunciar Sainz para a próxima temporada. Ok, ano que vem ou o próximo talvez seja muito difícil para o brasileiro, mas pensem só: Alonso é empresariado por Briatore, que agora está na Alpine/Renault. Apesar de ser um “consultor”, é um cara de muita influência e certamente vai voltar a dar as cartas na antiga escuderia onde conquistou quatro títulos.

Se a ligação Alonso-Briatore é forte e os franceses, que podem largar a categoria (ou a Renault, no que dá no mesmo), precisarem de jovens pilotos para o novo regulamento caso não consigam fechar com Sainz ou outro piloto mais experiente, Bortoleto pode ser uma possibilidade, por que não? Talento, contatos, influência e até mesmo dinheiro são fatores primordiais para alcançar uma vaga na F1.

Obviamente que, se toda essa imaginação virar realidade e dar certo assim, o brasileiro vai precisar se livrar da McLaren, o que não seria um grande problema. Do contrário, caso as coisas não se encaixem, tem sempre uma Fórmula Indy como sombra e alternativa para continuar no automobilismo.

Espero que tenham gostado de viajar nos meus devaneios. Afinal, sonhar não custa nada.

Até!






segunda-feira, 27 de maio de 2024

SUSPIRO ANTES DO METEORO

 

Foto: Getty Images

A F1 ultimamente não tem dado boas notícias. Não apenas a dinastia de Verstappen, pois sempre estamos acostumados com isso, mas porque simplesmente não há renovação do grid, mais equipes, mais pilotos talentosos ou circuitos de verdade.

A obsessão por corridas de rua e a “americanização” da categoria tornou tudo um espetáculo, banalizando a importância dos eventos. Autódromos lotados, mas quase tudo superficial, incluindo a série da Netflix que trouxe para a F1 um público que talvez não entenda o que é o automobilismo, apenas esse simulacro do pós-pandemia em diante.

Estes são problemas que repetidamente escrevi ao longo dos anos em que mantinha o blog diário. É inútil repetir, mas hoje vou abordar uma notícia já antiga e que a grande maioria não concordou, mas faço questão de nadar contra a maré, como quase sempre.

O processo da F1 ficou cada vez mais simplificado. Um clubinho de 10 equipes, onde por exemplo temos a Red Bull com duas, enquanto Ferrari e Mercedes possuem tentáculos nas outras em virtude do fornecimento de motor e outras coisas. No meio disso tudo, Renault e Honda. Para 2026, Audi e Ford, fornecedoras.

10 equipes é muito pouco. Apenas 20 vagas. É possível renovar o grid sem testes ilimitados e paciência com os jovens que certamente sentem uma grande diferença entre um carro da categoria de base e um F1? Óbvio que não, tanto que pela primeira vez na história tivemos um grid idêntico.

Quais as formas de chegar na categoria? Obviamente, tendo muito dinheiro, isso desde que o mundo é mundo. Temos simples exemplos de Stroll, Zhou e Pérez, que são bancados e trazem patrocinadores.

A forma menos cara, por assim escrever, são as famigeradas academias de pilotos. Lá atrás, com a Mercedes e a Red Bull nos anos 1990, muitos pilotos se aproveitavam disso, na época em que tínhamos fartura de 22, 24 ou 26 carros.

Mais recentemente, o próximo começou por Hamilton (McLaren) e a Red Bull se popularizou, com sucessos e fracassos. Você sabe: Vettel, Ricciardo, Verstappen, Gasly, Albon, entre outros que se perderam no caminho.

Mais recentemente, Ferrari e McLaren também entraram nesse universo. Se for parar para pensar, Massa era da academia dos italianos. Depois de Hamilton, a McLaren apostou em Vandoorne e só agora em Norris. A Williams inventou Sargeant. A Renault tinha Ocon e perdeu Piastri.

Alguns possuem bons empresários, que facilitaram o processo lá no início. Alonso era da Renault e de Flavio Briatore. Bottas era de Toto Wolff, que ainda tinha a Williams. Russell e Wehrlein vieram da Mercedes, assim como Ocon, metade-metade com a Renault.

Anos atrás, escrevi que Grosjean era um dos últimos que se mantinham sem esse grande apoio ou de patrocínios, embora o início tenha sido empurrado pela Renault. Sobra justamente um nome: Nico Hulkenber, o Roberto Pupo Moreno da nossa geração.

A história de Hulk já foi escrita por aqui: campeão da GP2, chegou na Williams, fez pole em Interlagos, perdeu a vaga, foi pra Force India, aí teve o ápice na Sauber, voltou pra Force India e não deu certo na Renault. Com a pandemia, virou o 21° piloto de quase todo mundo até voltar definitivamente para a Haas. Tudo isso na base da experiência e do talento, claro.

Hulk sofreu por não conseguir ter o equipamento certo na hora certa. As piadas de nunca ter pódio atestam isso. Azar e erros na hora decisiva também, mas é um acertador de carros. Nas CNTP, faz o que é pedido, desde sempre.

Sim, no início do texto, reclamei da falta de renovação do grid. Apesar disso, não é um contrassenso comemorar que Nico vai para a Audi, a antiga Sauber, o que seria um retorno.

Sim, precisamos de novos talentos no grid. Alguns perdem o timing e não chegam nunca. A maioria precisa estar numa academia de pilotos, o que permite os melhores carros na base e consequentemente chances de destaque, títulos, mídia, cartaz. Kimi Antonelli, se não errar muito, já está com um pé e meio na categoria justamente por ser um prodígio acelerado da Mercedes.

Nesse universo de poucas vagas, muita grana e academia de pilotos, Hulkenberg se encaixa na experiência. Como escrevi também: poucos testes não permitem grandes riscos, a menos que se trate de um caminhão de dinheiro ou exista um novo Raikkonen ou Verstappen já aptos antes dos 18 (ok, o tal do Antonelli pode estar nessa lógica também, mas é apadrinhado).

Por isso que Hulkenberg continuar no grid é uma vitória para o automobilismo do jeito que eu cresci e conheci. Em um universo já tomado pelos mesmos caminhos e procedimentos, é um sopro de alegria e pertencimento ver um cara experiente, que perdeu o valor de mercado e é chacota ainda resistir no crème de la crème do automobilismo.

Não me engano: sei que isso é somente um suspiro em meio a um processo já irreversível do automobilismo como conheci, como ele é hoje e como a nova geração enxerga tudo isso. Num mundo de Liberty Media, Drive To Survive, corridas de rua, áreas de escape asfaltadas e proibição de correr no molhado, a permanência de um journeyman em meio a um período nebuloso e sem emoção da F1 precisa ser comemorado, mais do que realmente deveria. Aproveitemos então, enquanto o meteoro não chega em nós, dinossauros.

Até!

quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024

E AGORA, TOTO?

 

Foto: Reprodução/Internet

Um belo dia, um casamento repleto de amor e conquistas se encerra depois de 11 anos com uma breve conversa de 10 minutos. Foi assim que Toto Wolff e a Mercedes descobriram a intenção de Sir Lewis Hamilton em partir, definitivamente, para o sonho vermelho ferrarista.

Ok, Hamilton vai ter a última dança prateada e depois vai ser somente história para os alemães, a questão óbvia é: quem será o sucessor do heptacampeão na Mercedes?

Não é uma pergunta que se responde do dia para a noite. Será ao longo do ano. Num exercício com uma pitada de lógica e outra de delírio saziano, apresento aqui os candidatos plausíveis para ocupar o posto do Sir a partir do ano que vem. Não está em ordem de preferência, é o que vem da cabeça:

Valtteri Bottas – Foi ou é agenciado por Toto Wolff e é um nome experiente, bem quisto pela equipe pelos serviços prestados como escudeiro do próprio Hamilton. Sei lá, eu não duvidaria disso. Massa voltou pra Williams mesmo depois de se aposentar, o finlandês pode abortar o projeto com a Audi por uma segunda chance na Mercedes, não?

Sebastian Vettel – Ok, ele tá aposentado. Ok, ele não quer mais saber de automobilismo, apenas uma forma mais sustentável de viver no planeta. Mas é o Vettel, é tetracampeão, é alemão... Tentar, seduzir não custa nada, certo?

Carlos Sainz – Dizem que pode ir para a Audi, mas uma dança das cadeiras não seria tão surpreendente. Já lidou com Verstappen, Ricciardo, Leclerc... Russell não seria um desafio tão grande assim. Já mostrou do que é capaz

Daniel Ricciardo – Por falar nele... o 2024 vai ser um teste pra saber se pode voltar a ser o escudeiro de Max na Red Bull. Caso não dê certo, é um piloto experiente, disponível para ajudar e fazer de Russell o novo líder dos prateados.

Kimi Antonelli – Seria o substituto natural, está sendo preparado para isso. No entanto, a saída antecipada de Hamilton pode ter estragado os planos sucessórios da Mercedes. Talvez o prodígio passe por uma Williams ou uma equipe satélite até chegar na principal, repetindo o que Russell, mas não duvidem se, em caso de título na F2 esse ano, o italiano já suba direto. Afinal, estamos falando do maior talento de base desde Max Verstappen. E Hamilton também chegou na F1 assim, pulando etapas.

Fernando Alonso – O contrato com a Aston Martin termina no fim do ano e pode ser a última grande chance do Espanhol. Ele já deixou claro que no momento a principal questão é o projeto, pois fisicamente está muito bem, apesar de quarentão. Toto Wolff se reuniu com Flavio Briatore e já gerou burburinhos. Apenas coincidência? Imaginem, na rivalidade, Alonso substitui Hamilton e guia a Mercedes de volta para o topo. Cinema!

E aí, o que vocês acham? Algum nome é plausível ou esqueci de alguém? Quem você contrataria para a Mercedes no lugar de Hamilton? Comente!


segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

MAIS UMA PARTE DO LEGADO

 

Foto: Getty Images

Até esquematizei mentalmente algumas linhas sobre o 2023 histórico da Red Bull e de Max Verstappen, a morte repentina de Gil de Ferran e a situação de Wilsinho Fittipaldi. O tempo passou, perdi o timing e a vontade. 2024 parece que vai ser a mesma coisa de 2023. Mesmos carros, mesmas equipes, nenhuma mudança e o problema de tudo, para os americanos, é a Andretti. Qual o sentido de repetir a mesma coisa? Sim, exatamente: 2024 na F1 será um pleonasmo, repetitivo e chato.

O que me faria escrever, afinal? Se Verstappen fez o que a gente achava que só Fangio conseguiria nos tempos antigos e o timing passou... Eu não gosto de despedidas, mas o blog precisa de um tempo. Ironia do destino: justo neste ano que ele vai completar 10 anos de existência.

A grande notícia surgiu, como vocês sabem. É geracional, fura a bolha. É o esportista, uma celebridade, um pop star.

Todo ano Hamilton ia para a Ferrari. Dessa vez, ele realmente foi. Quer dizer, irá. É a maior transferência da história da categoria. O maior vencedor, pole, pódio e sete títulos na equipe mais vencedora e com mais torcida, a que mais se aproxima de um clube de futebol.

O que fez Lewis Hamilton tomar essa ousada decisão se ele já parecia estar rumando para a aposentadoria e concentrar outros esforços em novas jornadas, sociais e de outros interesses secundários, como a moda e a música?

Claro, ele vai ganhar o maior salário da história da F1. É o Lewis Hamilton. Existem também as promessas dos benefícios aos projetos sociais de Lewis, iniciados na Mercedes, sobretudo após a pandemia. Finanças e vida pessoal, ok.

Mas e a questão esportiva? A Ferrari é a Ferrari, mas também é a Ferrari que todos sabemos: sem títulos desde 2007. Equipe grande é equipe grande, mas existem apostas.

Alguns funcionários da Mercedes, que trabalharam com Hamilton, estão indo para a Ferrari a partir do ano que vem. O chefe de equipe é o Frederic Vasseur, que foi o chefão de Hamilton no título da GP2, hoje F2, lá em 2006.

Assim como a saída da McLaren para a Mercedes, existem duas leituras. A primeira é que dois anos sem vitórias e sem incomodar a Red Bull nesse novo regulamento cansou Lewis. Competidor voraz, que até então vencia em todos os anos, do nada ele se encontrou em uma posição incomoda inédita: perder o título de 2021 da forma que sabemos, enfrentar um jovem piloto de grande potencial (e perder no primeiro ano, sem vencer) e com o tempo passando.

A Mercedes bateu cabeça nessas duas temporadas e andou em círculos, enquanto a Red Bull disparou e parece inalcançável. Assim como em 2012, agora Hamilton perdeu a confiança e decidiu apostar. Sair da zona de conforto.

Para quem gosta de discussões sobre os melhores e tal, é inegável que, nesse sentido, Hamilton é um caso a parte. Tirando Kovalainen e Bottas, sempre enfrentou competição de altíssimo nível e sem medo. Um certo Alonso no auge, Button, Rosberg e agora vai pra cima de Leclerc, que até então era o menino de ouro da Ferrari. A imaturidade esportiva e os erros da própria Ferrari também culminaram na concretização do grande sonho, da grande grife, do impacto mundial.

2026 é o ano do novo regulamento e da chegada dos novos motores. A nova F1. O novo Pacto de Concórdia ainda vai ser assinado até lá. Tudo novo, as equipes já priorizando essa nova era, algumas precisando se ajustar com a chegada de novas organizações como a Ford e a Audi.

Assim como em 2014 a Mercedes deu o pulo do gato e Hamilton se viu em posição de fazer jus ao talento também em número de títulos, a Ferrari aposta nisso para voltar a ser hegemônica: o pulo do gato de Maranello. Trabalhando juntos no novo regulamento e com a chegada de pessoas de confiança de Lewis, 2025 seria um laboratório para azeitar tudo, visando o começo da nova era.

Quarentão, a questão física de Hamilton seria um grande ponto de interrogação, mas vimos Raikkonen guiando até essa idade e Alonso mais velho e ainda no grid fazendo o que fez com a Aston Martin. A idade é um número. É a última chance de uma grande mudança e uma nova aventura onde Hamilton não tem nada a perder.

Repito, nada a perder. O motivo é simples: Hamilton não precisa mais se provar. A Ferrari em sua carreira é como se fosse um filler, uma cena pós-créditos de uma história extraordinária. É evidente que ele não vai lá de sangue doce. Se não fosse competitivo, jamais seria heptacampeão e provavelmente já teria largado o esporte há muito tempo. A chama para voltar ao topo depois desses últimos anos está muito alta. Um labaredo. É assim que os superatletas de todos os esportes são forjados, na competitividade extrema.

Se der errado, Hamilton responde a sua e a pergunta de muita gente, além de realizar sonhos. Mas o que seria dar errado? Não ser campeão? Ok, na Ferrari não tem meio termo. Se der certo, Hamilton poderia se coroar como o maior campeão isolado e tirando a Ferrari da fila, assim como um certo Michael Schumacher fez, encerrando de vez qualquer discussão sobre quem senta no trono da F1.

Que 2024 passe bem rápido, porque ninguém se interessa. Todos os olhos estarão em Maranello e no vermelho do cavalinho rampante do Sir. Tons rubro-negros no legado de Lewis.

Vale a pena continuar sobre o espaço deixado na Mercedes e possíveis candidatos? Talvez eu pense nisso nas próximas semanas antes do campeonato começar.

Até!