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sexta-feira, 16 de maio de 2025

A VELHA RAPOSA

 

Foto: Getty Images

Ele nunca esteve fora da F1, a verdade é essa. Flavio Briatore sempre foi o agente de Alonso e, na verdade, manteve seus tentáculos de forma somente mais discreta, digamos assim.

O banimento eterno, na verdade, foi uma suspensão para os europeus verem. Se Pat Symonds continuou na categoria e até trabalhou com a vítima Felipe Massa, o que teria de tão educativo em deixar de fora da mesa um dos caras mais poderosos do automobilismo em 30 anos? 

Ok, com a saída de cena, Christian Horner e Toto Wolff viraram os protagonistas porque agora Red Bull e Mercedes dão as cartas. Não acredito que Flavio seria um sucessor de Max Mosley ou Jean Todt, mas poderia ser considerado se ele quisesse. Um dos rivais virou o administrador da categoria: Stefano Domenicali. Só Ron Dennis saiu, mesmo.

Ano passado, o ensaio para o retorno oficial veio com a alcunha de "consultor", nome meramente vago para quem pode fazer tudo. Briatore sempre fez tudo. Mandava nos chefes e nos pilotos, agenciava uns e tratava outros como inimigos, desde Schumacher até Jarno Trulli, Nelsinho Piquet, Romain Grosjean e...

... E agora Franco Colapinto. O palco? A eterna Benetton, digo, Renault, digo Alpine. Uma crise que dura desde o retorno da montadora como equipe e que ceifou diversos dirigentes e chefes de equipe. Para Ímola, uma novidade: Oliver Oakes, o então chefão, se demitiu alegando "questões pessoais".

Quem chegou em seu lugar? Flavio Briatore. O novo velho chefe de equipe, não mais consultor da Benetton/Renault/Alpine. Habemus chefe! The Old Boss ou "Il Vecchio Capo". Dias depois, a especulação é Oakes se demitiu após o irmão William, seu sócio na empresa Hitech, foi preso acusado de "transferência de propriedade criminosa".

Se foi demitido ou não, se saiu por questões pessoais ou foi convidado a se retirar, o fato é que a velha raposa está de volta com os velhos poderes de sempre. Nesse caso, o cachorro velho não precisa de novos truques. Coincidência ou não, o piloto da academia da equipe, que assinou contrato para a F1 antes da chegada de Briatore, saiu.

Jack Doohan. Não era segredo. Todo mundo sabia desde o início que o filho do multicampeão de Moto GP tinha um contrato curto e seria substituído pelo argentino Franco Colapinto, que encantou Briatore e é o novo protegido da vez do italiano. Sem espaço na Williams e sem acordo na Red Bull, o argentino só precisava de um empurrãozinho para chegar em uma das vagas disponíveis. O empurrão veio através de questões pessoais ou prisões, mas tá lá.

O que esperar do novo parceiro de equipe de Pierre Gasly? A Alpine é uma bagunça há anos e todo mundo aguarda 2026. É verdade que Doohan não conseguiu mostrar muito, mas ser um novato que cai de pára-quedas é bem prejudicial, pois não há tempo e testes para se provar. Colapinto teve impressão positiva ao andar junto com Albon, mas também se acidentou bastante.

Em tese, ele também tem cinco etapas para mostrar algo e ser avaliado para permanecer ou não. Sendo um piloto de Briatore e chefiado pelo mesmo, desempenho não vai ser um grande drama, seja pela adaptação ou o contexto da equipe. Afinal, o que Alpine almeja para a nova era da F1?

A única resposta que sabemos é que a velha raposa irá continuar dando as cartas na França e em Enstone.

Até!

segunda-feira, 9 de setembro de 2024

A NOVA "NOVA GERAÇÃO" E O ÓBVIO

 

Foto: Getty Images

Quanta coisa mudou desde então, né? Apesar de todo o esforço da Red Bull em perder o campeonato em uma queda vertiginosa à la Williams 1997 (coincidentemente quando também um certo Adrian Newey deixou o time), a McLaren está mais preocupada com os construtores do que tentar impedir o tetra de Max. Os motivos? Vou desenvolver em outro texto, mas talvez a equipe sinta que Lando Norris não vai ser o cara.

Bom, desde então, muitas mudanças para os assentos da F1. Ocon, chutado da Alpine, vai ser o líder da Haas. Com poucas opções, é melhor escolher certos lugares do ficar a pé, ainda mais que o francês não é mais garoto e a fama de péssimo companheiro de equipe já pesa para algumas avaliações. Na Haas, é agora ou nunca para tentar ter uma relevância que nunca conseguiu ter, de fato, na categoria.

Seu parceiro será Oliver Bearman. Não é novidade, por dois motivos: é da academia da Ferrari, já tinha corrido pela equipe na Arábia Saudita e feito outros testes com a própria equipe. Ok, foram três. Os americanos mudam o perfil: saem dois experientes, entram um jovem experiente e um novato. O inglês é o legítimo caso de estar no lugar certo e na hora certa. A oportunidade passou e ele agarrou. O que esperar? Paciência para 2026.

Passamos para os próximos passos, muito mais surpreendentes. Primeiro, começamos por Franco Colapinto. Muito remotamente, acompanhei ele na F3 e sempre foi dito que era um piloto talentoso, rivalizando com outros expoentes que já subiram.

Além do fato de ser o primeiro argentino na categoria desde Gastón Mazzacane em 2001 (quem não lembra da histórica ultrapassagem no Hakkinen em Indianápolis 2000?), o mais interessante foi a escolha do time agora capitaneado por James Vowles, ex-Mercedes.

Por ainda usar os motores Mercedes, uma gestão mais antiga teria perfeitamente optado por antecipar a estreia de Kimi Antonelli no time no lugar do Sargeant, até pela estreita relação de Vowles com Toto Wolff, ex-acionista de Grove. No entanto, a Williams escolheu por alguém da própria academia de pilotos, a exemplo do que fez com o americano.

É uma grande oportunidade para Colapinto. Mesmo com prazo de validade e esquentando o robusto banco de Carlos Sainz, nunca se sabe o dia de amanhã. O próprio espanhol está lá por falta de opção, assim como Albon. Vai que de 2026 em diante o mercado mude... o argentino, se fizer o básico, que é não bater igual Sargeant, fica bem posicionado para continuar sendo reserva. Além do mais, pode continuar impressionando na F2. Um movimento surpreendente, interessante e ambicioso da Williams, que tenta voltar aos áureos tempos.

Por fim, a Alpine. Depois de perder Piastri e Alonso, a equipe entrou numa espiral negativa. 2024 é um desastre, que culminou na relação Gasly e Ocon, que já era horrível na base. Nem o fato de serem compatriotas numa equipe francesa poderia diminuir esse impacto. Pelo contrário. Tudo ficou pior, começando pela equipe de Enstone ser uma bagunça administrativa. Tanto é que optaram pelo retorno dele, Flavio Briatore. Até pensei em escrever algo sobre como poderia ser positivo a volta de um personagem emblemático, talvez o último que represente a F1 antes de ser subjugada pelas montadoras, mas também mostra que, na Europa, não é só na Itália que tudo termina em pizza.

Jack Doohan. O quanto o sobrenome do pai, pentacampeão da Moto GP, pode ter pesado nisso? Bom, além disso, os franceses optaram por alguém da academia de pilotos. Piastri não podia, mas Doohan, de resultados não tão chamativos na base, esse ano está apenas como reserva do time, sem ritmo e inexperiente para a categoria.

Qual é o dedo de Briatore nessa escolha? Tudo fica muito estranho, principalmente se considerar que Doohan disputou a vaga contra Mick Schumacher e tudo isso só aconteceu porque Sainz preferiu ir para a Williams do que voltar para a ex-Renault. Tempo de contrato e projetos foram os motivos, provavelmente.

A verdade é que a Alpine é um barco a deriva que nunca navegou na direção certa. A volta de Briatore é uma tentativa desesperada de correção de rumos. No entanto, qual a verdadeira jogada por trás disso? Usar Doohan igual Grosjean e Nelsinho na década passada? Não tem um Alonso ou um líder dessa vez, Gasly passa longe desse perfil. Não me parece também que Doohan seja um Kovalainen, alguém que sobreviva na F1 sem o apoio da Alpine/Renault.

Na Mercedes, a escolha foi por Kimi Antonelli. Wolff nunca considerou outro nome. Se olharmos agora que o anúncio foi feito, tudo faz sentido. Acelerar o italiano direto para F2 era uma prova de como os alemães enxergam esse prodígio. É um passo grande, mas somente os grandes já fizeram isso. Lembremos de Kimi Raikkonen, Max Verstappen e até mesmo Valtteri Bottas pulou etapas para chegar na categoria.

Apesar de altos e baixos na F2, o que é normal, Antonelli está em crescente. A real é que o desempenho na base importa pouco se você é visto como um fenômeno, como parece ser o italiano. Escrevi aqui que ele é o novo Verstappen, ou ao menos ninguém teve tanto impacto na base desde a ascensão do holandês.

Tantos fenômenos da base não viraram nada, como por exemplo Wehrlein. Sainz nunca foi um primor e chegou na F1 com o sobrenome e o apoio da Red Bull. Virou até piloto da Ferrari. Junto com Russell, é uma dupla jovem e apostas de talento para o período pós-Hamilton. Um perfil distinto do que levou os alemães para o tempo. Os dois vão precisar de tempo, mas se Antonelli confirmar o que promete, teremos um novo talento geracional para brigar e quem sabe destronar Max Verstappen.

Os casos apresentados aqui concluem o óbvio. A era que eu tanto temia chegou com tudo na F1. Para os novatos, a porta de entrada é uma só: academia de pilotos. Isso vale mais do que títulos ou desempenho na base. Claro, se você tiver muito dinheiro nem isso é necessário, como vemos no caso de Stroll.

Com apenas uma vaga restando para 2025, na Sauber/Audi, resta saber qual vai ser o critério da escolha dos alemães/suíços: com Hulkenberg, a cota experiente está preenchida. A outra metade será jovem de academia, jovem endinheirado ou um mix?

Gabriel Bortoleto, com a McLaren e agenciado por um certo Fernando Alonso, pode ser uma mistura de talento, academia e bom trânsito no paddock de seus resultados, personalidade e, claro, seus representantes.

Até!