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quinta-feira, 10 de julho de 2025

A PERESTROIKA TAURINA

Foto: Getty Images

Fim de uma era. Christian Horner não é mais o chefão da Red Bull. Como em quase tudo nessa organização, a saída de cena foi a pior e mais fria possível. Tudo bem, o clima por lá está horrível há anos, mas o mundo dos negócios (ou da vida) é assim mesmo: você é lembrado pela última corrida.

Claro, Horner não saiu em virtude disso somente. É um acúmulo de problemas internos e que viraram públicos na Red Bull. Desde o escândalo do assédio a uma funcionária da equipe e a briga com Helmut Marko pelo controle do time após a morte de Dietrich Mateschitz. Quem mantinha Christian por lá eram os acionistas tailandeses. A julgar pelo que aconteceu, a queda de braço foi vencida pelo caolho.

A principal jogada pode ter sido feita pelo maior apoiador que um homem pode ter a essa altura do campeonato: Max e a família Verstappen. É nítido e notório que Max defende Marko, que o trouxe para a F1 ainda garoto. O pai, Jos, nem se fala. Se a escalada de acontecimentos pareciam ter chegado ao ápice anteriormente, por que a mudança abrupta, justo agora?

Se tratando de Red Bull, não é surpresa o modus operandi. Esqueça a subida de Lawson, a chegada de Hadjar em detrimento de Colapinto e a tentativa de comprar o time às escondidas depois da morte do Mateschitz. Algo bem simples surge como fato novo em 2025. O contrato e o futuro de Verstappen.

O holandês pode escolher o que fazer. Pela claúsula de desempenho, desse jeito ele pode sair da Red Bull ainda no fim do ano, mesmo com contrato longo. A imprensa europeia andou veiculando com veemência na semana passada uma possível aproximação com a Mercedes, que o sonda e namora há tempos.

Diante da iminente perda, era hora do último truque: tirar o chefe que Verstappen e o pai não suportam e passar tudo para o comando do amigo e aliado Helmut Marko. Ignore que ele é um senhor de idade avançada. Tirar Horner de cena, ignorando os 20 anos de sucesso com o time que ele criou, é o último recurso para a esperança da Red Bull ser, de fato, do jeito que Verstappen e seus aliados querem.

Talvez isso não seja o suficiente. E se Max se cansar do ambiente e optar por algo novo? Há a fadiga dos metais. Lembrem-se: a saída de Horner não é caso isolado. Newey e Wheatley, figuras fundamentais, também já tinham deixado a Red Bull. Sinal de como as coisas andam por lá? Pode ser que sim, pode ser que não, mas não é coincidência a queda da hegemonia da equipe, mesmo justificando o foco no ano que vem.

Pode ser que esse movimento não seja o suficiente para convencer Verstappen. Talvez ele tenha percebido que, para ser campeão, é necessário sair e, hoje, os taurinos não oferecem aquilo que ele quer, além da saída de Horner, é claro.

Laurent Mekies, que era o chefão da satélite Racing Bulls, vira o novo chefe de equipe. Como consequência, Alan Permane o substitui no time B da Red Bull. Ainda acredito que um Vettel vai voltar para ser consultor. A Red Bull precisa de referências porque o time está ficando sem elas e pode estar em vias de perder a principal de sua história, além de Horner, é claro.

Assim, de forma melancólica, chega ao fim a era de um dos chefes de equipe mais poderosos pós Ron Dennis, Briatore e Frank Williams. Ele certamente voltará. Estejamos atentos. Horner é capaz de voar sem precisar de energéticos.

Até!