sexta-feira, 25 de agosto de 2023

MANUTENÇÕES E DÚVIDAS

 

Foto: Lars Baron/Getty Images

A F1 está de volta, depois de um mês de férias! Alguém estava com saudade? É estranho que a corrida de retorno não seja em Spa, como geralmente foi há alguns anos... Enfim, a F1 desembarca na casa de Max Verstappen e promete mais do mesmo, embora Lando Norris tenha sido o cara mais rápido da sexta-feira.

Irei desenvolver mais sobre o assunto na semana que vem, mas ontem a Haas anunciou as permanências de Hulkenberg e Magnussen para 2024. Hulk voltou o mesmo de sempre: rápido, consistente, as vezes consegue bons pontos e está indo para o Q3. Supera Magnussen, que tem muita moral e experiência no time. Se antes o foco do Steiner eram os jovens, agora ele prefere a manutenção dos experientes, em um universo onde não existe mais algum jovem pagante promissor, ou ao menos pagante.

Sobre o treino, o mesmo de sempre. McLaren e Mercedes parecem no páreo pelo segundo posto, enquanto Aston Martin e Ferrari correm por fora.

No TL2, Oscar Piastri e Daniel Ricciardo bateram quase que simultaneamente na mesma curva. Os dois compatriotas, provavelmente Ric pegou no susto após a batida de Oscar e por sorte não aconteceu algo pior. Quer dizer, Ricciardo se queixou na hora de dor na mão esquerda e foi para o centro médico. Caso não tenha condições de disputar a classificação, será substituído pelo jovem Liam Lawson, o que mais se aproxima de um bom piloto na atual academia da Red Bull.

Enfim, não é positivo para o projeto "Red Bull 2025" esse tipo de incidente. As férias + os 7 meses de inatividade podem ter pesado, ou tudo isso é fruto de oportunismo desse que vos escreve.

Rumo a décima vitória seguida ou algo assim, Max Verstappen tem tudo para coroar esse grande momento de domínio da carreira em casa, para delírio dos laranjas. Somos apenas telespectadores de um monólogo que já dura dois anos.

Confira os tempos dos treinos livres:



Até!


quinta-feira, 24 de agosto de 2023

GP DA HOLANDA: Programação

 O Grande Prêmio da Holanda aconteceu entre 1952 e 1985, com três pausas: 1954, 1956-1957 e 1972. 

Em 2020, estava marcado o retorno do país no calendário da F1, no circuito de Zandvoort. No entanto, em virtude da pandemia do coronavírus, a volta foi confirmada para 2021, marcando o reencontro dos fãs holandeses com a velocidade depois de 36 anos.

Foto: Wikipédia


ESTATÍSTICAS:

Pole Position: Max Verstappen - 1:08.885 (Red Bull, 2021)

Volta mais rápida: Lewis Hamilton - 1:11.097 (Mercedes, 2021)

Último vencedor: Max Verstappen (Red Bull)

Maior vencedor: Jim Clark - 4x (1963, 1964, 1965 e 1967)


CLASSIFICAÇÃO:

1 - Max Verstappen (Red Bull) - 314 pontos

2 - Sérgio Pérez (Red Bull) - 189 pontos

3 - Fernando Alonso (Aston Martin) - 149 pontos

4 - Lewis Hamilton (Mercedes) - 148 pontos

5 - Charles Leclerc (Ferrari) - 99 pontos

6 - George Russell (Mercedes) - 99 pontos

7 - Carlos Sainz Jr (Ferrari) - 92 pontos

8 - Lando Norris (McLaren) - 69 pontos

9 - Lance Stroll (Aston Martin) - 47 pontos

10- Esteban Ocon (Alpine) - 35 pontos

11- Oscar Piastri (McLaren) - 34 pontos

12- Pierre Gasly (Alpine) - 22 pontos

13- Alexander Albon (Williams) - 11 pontos

14- Nico Hulkenberg (Haas) - 9 pontos

15- Valtteri Bottas (Alfa Romeo) - 5 pontos

16- Guanyu Zhou (Alfa Romeo) - 4 pontos

17- Yuki Tsunoda (Alpha Tauri) - 3 pontos

18- Kevin Magnussen (Haas) - 2 pontos


CONSTRUTORES:

1 - Red Bull RBPT - 503 pontos

2 - Mercedes - 247 pontos

3 - Aston Martin Mercedes - 196 pontos

4 - Ferrari - 191 pontos

5 - McLaren Mercedes - 103 pontos

6 - Alpine Renault - 57 pontos

7 - Williams Mercedes - 11 pontos

8 - Haas Ferrari - 11 pontos

9 - Alfa Romeo Ferrari - 9 pontos

10- Alpha Tauri RBPT - 3 pontos


ARREPENDIMENTOS

Foto: Getty Images

Na parte final da carreira, é normal que Fernando Alonso seja questionado sobre a jornada. Os caminhos e polêmicas do bicampeão são bem conhecidos por todos, mas, resumindo, a Fênix se arrepende de não ter curtido tanto a F1 e, se pudesse, voltaria no tempo para ser campeão pela Ferrari - ele teve duas oportunidades e bateu na trave nas duas, em Abu Dhabi 2010 e Interlagos 2012.

“Em 2010 e 2012, estávamos a algumas voltas de conquistar o campeonato. Isso provavelmente poderia ter mudado como muitas coisas aconteceram e a história por trás delas”, afirmou para o podcast High Performance.

Alonso, então, disse que sente arrependimento de não ter desfrutado da experiência como um piloto da F1 durante toda a trajetória, muito possivelmente pelo foco em brigar pelo título e toda a pressão e estressa que isso resulta.

“Mas acho que deveria ter curtido mais. Se tivesse a oportunidade de reviver minha vida, talvez não mudaria minhas escolhas de equipes, decisões ou esse título [perdido] com a Ferrari. O que mudaria é viver um pouco mais esses momentos e ter mais memórias", disse.

Um exemplo que corrobora tudo isso é o espanhol ter afirmado que se lembra "muito pouco" das tardes e noites que viveu no Brasil, quando foi bicampeão mundial em 2005 e 2006. Isso, segundo Alonso, o deixa "um pouco triste".

Uma coisa um tanto quanto tocante, vindo de alguém que tem uma das carreiras mais longevas da história da categoria, senão a maior. No início é tudo deslumbre e depois Alonso travou guerras para ser bicampeão com a Renault e desbancar Schumacher, o período turbulento na McLaren, o retorno para a Renault e as batalhas perdidas na Ferrari contra a Red Bull de Sebastian Vettel. Tudo isso tira o prazer do momento e coloca o foco no resultado. 

O processo é desgastante e estressante, e talvez Alonso só tenha entendido o outro lado do paddock quando deixou de ser protagonista, fruto das escolhas equivocadas, o período sabático e o retorno para a categoria. Ao enxergar que o fim é inevitável, vimos outra faceta da Fênix polêmica. Interessante essa reflexão.

GOSTO, MAS NEM TANTO


Praticamente tricampeão, sequência de vitórias inquestionável e sem adversários a curto prazo. Max Verstappen está vivendo o sonho que poucos pilotos conseguiram alcançar na história da categoria, mas nem tudo são flores.

Pensando no futuro da categoria, o futuro tri vem reiteradamente reclamando em entrevistas sobre o número de corridas, a fórmula dos treinos e a própria motivação. Desta vez, ele falou para o jornal holandês De Telegraaf.

“Estou preocupado com o esporte que sempre gostei. Ainda gosto, mas até certo ponto. Não é que seja totalmente contra mudanças, como algumas pessoas afirmam. Mas elas devem beneficiar a Fórmula 1. Por que você precisa mudar as coisas quando estão indo bem? Acho que uma classificação tradicional é um ótimo formato, não precisa girar tudo em torno do dinheiro”, começou.

Depois, Max voltou a reclamar do aumento do calendário e da exaustão que isso traz, não só para as corridas, mas também ser cada vez mais exigido para ações promocionais. Afinal, Max é um dos pilotos mais populares do grid, o cara do momento e está num time que sempre foi conhecido por ter uma estratégia de marketing agressiva para fincar o nome nos esportes onde está. 

"As pessoas podem pensar, ‘bem, ele ganha muito dinheiro, do que esse cara está reclamando?’ Mas se trata de bem-estar, de como você vivencia as coisas e não de quanto recebe. Sinto que tenho de fazer muitas coisas e abrir mão de outras [que gosto de fazer], então às vezes penso, ‘ainda vale a pena?'

 É mais sobre todas as coisas extras que tenho de fazer. As quintas-feiras em um fim de semana de corrida podem ser muito longas, dependendo de onde estamos, e fora há muito trabalho no simulador. Por exemplo, perco mais de um mês por ano com marketing. Em certo momento, você simplesmente não sente mais vontade de fazer tudo isso”, disse.

Por fim, mesmo com contrato até 2028, Verstappen disse novamente que não descarta sair da F1 antes do fim do vínculo com a Red Bull, caso ele sinta que a equipe não esteja competitiva com o novo regulamento que será implementado a partir de 2026.

“As coisas teriam de estar realmente ruins para isso acontecer. Não espero que a equipe recue tanto, com tantas pessoas incríveis que temos. Mas neste esporte é sempre possível que você não seja tão competitivo. Depende das perspectivas, mas sim, não me vejo competindo no meio do pelotão por três anos. Então, preferia ficar em casa ou fazer algo diferente. Mas novamente, não espero que isso aconteça”, finalizou.

O único que se aposentou no auge e sem olhar para trás foi Khabib Nurmagomedov. De resto, nunca acredito nessas conversas, principalmente de quem está no topo e sabe que não vai ser incomodado. Só ver como Hamilton mudou as declarações após ter a Red Bull no cangote, a longevidade de Alonso, o retorno de Schumacher, etc. Os grandes pilotos não desacostumam nunca da competição, do vício de competir e vencer. Por enquanto, apenas acho que tudo isso é conversa de quem está cansado de não ser desafiado.

TRANSMISSÃO:
25/08 - Treino Livre 1: 7h30 (Band Sports)
25/08 - Treino Livre 2: 11h (Band Sports)
26/08 - Treino Livre 3: 6h30 (Band Sports)
26/08 - Classificação: 10h (Band e Band Sports)
27/08 - Corrida: 10h (Band)






terça-feira, 22 de agosto de 2023

INÊS É MORTA

 

Foto: Getty Images

O campeonato de 2008 sempre vai gerar dúvidas e questionamentos. Esse ano, tudo aumentou com a ação de ingresso de Felipe Massa na justiça para ser corado campeão mundial daquela temporada.

Neste ano, Bernie Ecclestone admitiu em entrevista que sabia do escândalo de Cingapura ainda em 2008 e não fez nada para não manchar o esporte, o que seria não cumprir com o próprio regulamento da FIA da época, que era presidida por Max Mosley.

Esse inclusive é o argumento da defesa, além das perdas financeiras por não ser campeão, as oportunidades que se abririam para Massa e os brasileiros impactados por um compatriota no topo (lembrem que nós só gostamos de quem vence, certo?), contratos, exposição, etc. Felipe Massa poderia ter sido uma super estrela, ou simplesmente um “novo Senna”, um novo vencedor e exemplo para o Brasil.

Pelo que li e foi contextualizado, são argumentos convincentes, inclusive com a definitiva infração da própria FIA ao lavar as mãos para o caso. Já passando dos 90, Ecclestone ativou a carta do “não lembro de ter dito isso”, mas a verdade é que a boca grande dele é que está gerando esse burburinho.

Mas na prática, é correto mudar alguma coisa? É possível mudar alguma coisa? Massa foi prejudicado nesses termos, além de uma tramóia ter tirado uma vitória que ele tinha grandes chances de confirmar. Aí que está. Tinha grandes chances, não é algo certo. Quem não poderia imaginar que algo aconteceria tal qual em Hungaroring?

E outra: Hamilton não tem nada a ver com isso e é tão vítima de uma atitude suja quanto Massa. Os dois tiveram problemas e foram irregulares naquele ano, por isso a quase igualdade.

Também não é justo e correto usar apenas a lógica de dar os pontos para Cingapura ou “se o Massa tivesse vencido ele era campeão”. Se o brasileiro vencesse em Cingapura ou chegasse com uma vantagem mínima para decidir em Interlagos, certamente o comportamento da McLaren e de Hamilton seriam diferentes no decorrer do ano após a corrida noturna.

A situação só chegou na catarse porque justamente era Hamilton que tinha a vantagem e pilotava o suficiente para ser campeão. Mudando essa estrutura, ele correria com uma outra motivação e estratégia. Ninguém pode prever o que aconteceria.

Sim, Massa parece ter sido vítima de uma negligência da própria FIA. Isso é o suficiente para ser considerado campeão ou co-campeão? Hamilton tem que pagar o pato por algo que ele também foi no mínimo prejudicado? É possível reescrever a história, colocar um asterisco?

Penso que não, assim como, infelizmente, não será possível fazer “justiça” para o brasileiro até porque, mesmo assim, um título reconhecido tardiamente também não mudaria em nada para o destino de todos. Agora, Inês é morta.

Até!

terça-feira, 15 de agosto de 2023

ANÁLISE PARCIAL DA TEMPORADA 2023: Parte 2

 

Foto: Motorsport

Voltamos com a segunda parte da análise parcial da temporada 2023. Agora, com as equipes restantes: Alfa Romeo, Aston Martin, Haas, Alpha Tauri e Williams.

Foto: Getty Images

Valtteri Bottas – 6,5 – Praticamente um figurante na temporada, mal aparece nas corridas e nos treinos. Bottas faz o que pode, mas a futura Sauber/Audi só pensa no futuro. Está jogada às traças. Não há muito o que escrever.

Guanyu Zhou – 6,5 – Parece mais adaptado e melhor que no ano de estreia, mas o problema é o mesmo de Bottas: a equipe simplesmente não está lá. Alguns brilharecos no sábado e olhe lá. Maior definição de coadjuvante melancólico não há para uma equipe que só pensa em um futuro diferente, incluindo os nomes.

Foto: Motorsport

Fernando Alonso – 9,0 – Parecia que seria outro erro, o agora fatal, de gerenciamento de carreira da Fênix. No entanto, a evolução da Aston Martin é notável, e ter um dos melhores pilotos da história do time na hora certa faz a diferença. Muitos pódios, algumas possibilidades de vitória e consistência. Alonso também é um dos únicos que pontuou em todas as corridas. A Aston perdeu o terreno e vai precisar remar muito para voltar ao topo, mas talvez 2024 seja o outro grande pulo do gato. É uma temporada que já foi paga, independentemente do retorno das férias.

Lance Stroll – 6,5 – Colocar alguém como Alonso no mesmo bólido é evidenciar as limitações do filho do dono. Isso todos sabemos. Então, Stroll não faz o suficiente pelo carro que tem, mas quem se importa? É o piloto menos pressionado do grid hoje em dia, então não faz diferença alguma fazer qualquer ponderação além do que já foi escrito até aqui.

Foto: Getty Images

Kevin Magnussen – 6,5 – Está sendo o Mick Schumacher da vez. Se ano passado o retorno foi impressionante pelo domínio interno e a pole mágica na sprint race em Interlagos, o 2023 é um choque de realidade. Batido pelo rival Hulkenberg, a Haas também não permite fazer muita coisa, mas ser constantemente superado pelo companheiro de equipe que ficou fora da categoria por alguns anos não é bom sinal.

Nico Hulkenberg – 7,0 – Parece que o tempo ausente não fez diferença. Hulk continua com os mesmos vícios e virtudes. Muito rápido no sábado, mas sucumbe no domingo. Claro que o carro também tem uma dose de responsabilidade, mas parece que o alemão não tem sorte na F1. Pelo menos ele relembra a competência na consistência interna e está tirando Magnussen para pouco caso.

Foto: Motorsport

Yuki Tsunoda – 7,0 – Está melhor que o ano passado, mas isso não quer dizer muita coisa. A Alpha Tauri está à deriva e o japonês causa mais dúvidas que respostas. Ele está bem porque De Vries é que é fraco ou o carro pode mais a partir da chegada de Ricciardo?

Nyck De Vries – 5,0 – Desde sempre foi um boi de piranha na equipe, sem alternativas viáveis para subir alguém. No desespero e estreando na F1 num matadouro, também pouco se ajudou. Não teve ritmo e nenhum momento e fez parecer Tsunoda um piloto promissor e evoluído. É uma pena, mas parece que o holandês entrou num jogo de cartas marcadas.

Daniel Ricciardo – Sem nota. Desempenho será avaliado apenas a partir de agora.

Foto: Getty Images

Alexander Albon – 8,0 – Corre mais que o carro. Está evoluindo e merece uma equipe melhor, nem que seja meio de tabela. Espreme os resultados, tem ritmo, velocidade e briga de igual para igual com o resto do grid. Parece que finalmente desabrochou o talento do tailandês nascido e criado na Inglaterra. Estar longe da Red Bull parece ser bom negócio até aqui.

Logan Sargeant – 5,5 – Subiu para a F1 sem estar pronto, pela necessidade de ter um americano no grid. Não é ruim mas repito, ainda não está preparado. A comparação com Albon só torna as coisas piores. O ritmo é inexistente. Ainda há margem para evolução para minimamente ser competitivo e combativo. A melhora da Williams nas últimas atualizações é um alento para isso, principalmente no médio prazo. Não vou ser tão taxativo assim, ainda acredito no potencial, nem que seja mínimo, do Sargeant.

Concorda? Discorda? Escreva nos comentários e digite também as suas notas!

Até!




quinta-feira, 10 de agosto de 2023

ANÁLISE PARCIAL DA TEMORADA 2023: Parte 1

 

Foto: Getty Images

A F1 está nas férias de verão, então você já sabe: chegou a hora de analisarmos o desempenho dos pilotos nesta primeira metade da temporada. Neste post, iremos abordar a Red Bull, Ferrari, Mercedes, Alpine e McLaren.


Foto: Getty Images

Max Verstappen – 10,0 – Não tem muito o que discutir. É uma temporada quase perfeita. Poucas vezes vimos uma dominância tão absurda e absoluta de um piloto e uma equipe num ano, digo, metade dele. Imagina o que Max e a Red Bull podem fazer na segunda metade? Melhor não... tem cara de algo mais histórico ainda.

Sérgio Pérez – 7,5 – No início, até chegou a fazer frente para Max. Depois, sucumbiu. Que a diferença é enorme é evidente, mas a perfeição de Max constrange o quanto o mexicano está sofrendo para manter o vice-campeonato. Não sabemos se é um carro diferente, mas com certeza Pérez pode fazer e tanto ele quanto a equipe sabem disso. A partir de agora, uma ameaça australiana vai pairar o ambiente de Checo.


Foto: Getty Images

Charles Leclerc – 8,0 – Muitos altos e baixos. Erros e ainda inconstância aliados a incompetência da Ferrari. É uma relação tóxica, de responsabilidade compartilhada. Leclerc é um piloto muito veloz nos treinos, tanto que conseguiu ser pole duas vezes, mas ainda tem problemas de ritmo e consistência. Já era para ter passado dessa fase, mas também entendemos que o ambiente caótico da Ferrari dificulta o processo.

Carlos Sainz – 7,5 – Até faz uma boa leitura da corrida, mas não consegue imprimir ritmo, consistência e velocidade. É inferior a Leclerc e está limitado pelos problemas da Ferrari. Com mais um ano de contrato, a verdade é que Sainz atingiu o teto na carreira. O que pode ser feito é buscar mais velocidade, mas está muito evidente que nesse departamento a inferioridade para Leclerc é quase irreversível.

Foto: Getty Images

George Russell – 7,5 – Está abaixo do que pode, seja por problemas, azares ou menos ritmo em relação a Hamilton. Depois de um 2022 muito promissor e impressionante, George está oscilando. É normal, o carro da Mercedes tem seus altos e baixos e o vizinho de equipe é simplesmente um dos maiores nomes do esporte. O ritmo e a consistência sempre foram armas fortes de Russell, juntamente com a boa leitura da corrida. Está faltando mais velocidade e melhores tomadas de decisões para ser aquele piloto eficaz e oportunista que se destacou com uma vitória no ano passado.

Lewis Hamilton – 9,0 – Hamilton diz que não está mais no auge, mas é um dos três pilotos que pontuou em todas as etapas até aqui. Está mais adaptado ao carro, embora o W14 ainda não lhe dê condições de vitória, o que desanima quem sempre esteve acostumado a ficar no lugar mais alto do pódio. É claro que a idade pode dificultar algum aspecto, mas Hamilton continua com seus lampejos de velocidade e stints muito bons. Está faltando carro. Aí, certamente, a percepção sobre o auge vai mudar.

Foto: USA Today

Esteban Ocon – 7,0 – A Alpine estagnou ou até mesmo regrediu, assim como Ocon. Erros, incidentes, punições, azares, problemas. Está menos constante. Também é vítima da bagunça administrativa e das mudanças de rumo do time francês, mas precisa fazer mais para continuar valorizado entre os potenciais pilotos de elite do curto prazo.

Pierre Gasly – 6,5 – Chegar numa nova equipe é sempre complicado. Tudo bem que a Alpha Tauri não era outro exemplo de excelência organizacional, mas isso também pesa na Alpine. São os mesmos problemas de Ocon, mas a diferença é que Pierre está um pouquinho mais errático e menos consistente. Pouca diferença, mas que se reflete na colocação de ambos no Mundial. É uma temporada de adaptação, mas não pode perder a confiança, do contrário a guerra interna contra um ex-“inimigo” da base pode também estar comprometida.

Foto: Getty Images

Lando Norris – 8,0 – Cresceu conforme a atualização da McLaren em Silverstone, que devolveu o time de volta para o jogo. Lando está consolidado, é um dos pilotos tops. Extrai o máximo do carro e raramente erra. Era o caso do “precisa de um carro melhor”. Quando a atualização propiciou o protagonismo, ele foi lá e esteve no pódio, sempre muito veloz. A segunda metade do ano pode ser ainda mais empolgante se a McLaren continuar nesse nível de protagonismo.

Oscar Piastri – 7,5 – Um início tímido, se adaptando a equipe e, principalmente, a categoria, depois de um ano inativo e recheado de polêmicas. A exemplo de Lando, bastou uma atualização certeira para que Oscar mostrasse e justificasse porque venceu a F3 e a F2 de forma consecutiva. É um piloto de muito talento e potencial. O pódio bateu na trave por diferentes fatores, mas a escala de progressão é muito animadora e promissora.

E esta foi a primeira parte. Concorda? Discorda? Escreva nos comentários!



segunda-feira, 31 de julho de 2023

(NÃO) VALE A PENA VER DE NOVO

 

Foto: Divulgação/Alpine

Na sexta, a Alpine anunciou mudanças significativas no staff da equipe para a sequência da temporada, a partir da Holanda, quando a F1 retorna das férias de verão.

Conforme escrevi no post de sexta, feira:

“Otmar Szafnauer, Alan Permane e Pat Fry estão de saída. Os dois primeiros demitidos, incluindo Permane que tem mais de 30 anos na empresa. Fry está indo para a Williams ser o diretor técnico.

Interinamente, assumem Bruno Famin, vice-presidente da Alpine Motorsports, Julian Rouse o diretor esportivo interino e Matt Herman lidera a parte técnica. A passagem de Szafnauer foi um desastre. Depois de anos de serviço bem prestados na Force India/Racing Point, a estadia nos franceses foi um fracasso.”

Bom, não pretendo me alongar muito, apenas vou expandir um pouco da narrativa que embarquei nos últimos meses.

A venda de uma parte do time para os americanos pode ser um sinal muito grande de que mudanças profundas surjam no curto prazo.

Desde 2016, a Renault conseguiu resultados tímidos. Em nenhum momento, a equipe de fábrica foi sequer protagonista no retorno à categoria. Uma vitória e pódios esporádicos. Claro que, hoje em dia, é mais difícil começar do zero, mesmo tendo a estrutura e o dinheiro que os franceses têm.

Acontece que a Aston Martin, em contexto semelhante, já entregou uma consistência muito maior nesse semestre de pódios do Alonso do que a Renault. Muita coisa está errada. Os investimentos estão insuficientes. Até quando uma empresa vai aguentar o negativo e sem a conquista esportiva?

As coisas se ligam de maneira muito significativa. Primeiro, a cobrança pública do presidente da Alpine no agora ex chefe. Depois, a venda de parte do time. Agora, as mudanças como consequência de um 2023 terrível. Me parece ser a última cartada.

A paciência e o dinheiro da Renault tem limite. Considerando o histórico da companhia e os últimos movimentos, algo pode estar sendo preparado, planejado ou antecipado. Tudo ou nada.

Ou, simplesmente, tentar conter os danos.

Até!

domingo, 30 de julho de 2023

PULVERIZADOR

 

Foto: ANP

Não há competição. Não importa o contexto, a Red Bull e Max Verstappen vão estar lá. Seja na chuva durante a ridícula e sem sentido sprint race, seja na corrida de fato. Desta vez, Pérez até que fez o papel de escudeiro e segundo piloto por 17 voltas.

O que impressiona é como Max some após a ultrapassagem, que por si só já é muito fácil. Parece que são carros diferentes e que são apenas pintados iguais. É para esmagar e desmoralizar todo mundo, mesmo.

Na verdade, o único momento de tensão e conflito foi de Max com o próprio engenheiro de corrida, Gianpiero Lambiase. Os dois trabalham juntos na Red Bull desde que o holandês chegou na equipe mãe. Max não gostou da estratégia do Q2 de sexta e reclamou, Lambiase retrucou; na corrida, Max reclamou da estratégia durante a corrida; Lambiase respondeu sobre gastar demais os pneus macios; Max queria outra parada para fazer a volta mais rápida, o que foi retrucado.

Hamilton também reclamava do carro vencedor que não tinha competição. Parece que a natureza competitiva desses caras é sempre buscar briga e conflito com algo para se sobressair. É o que resta, porque na pista isso não existe no momento para Max.

Tivemos uma demonstração de força de Leclerc, que herdou a pole após a punição de Verstappen. Foi uma questão pontual e de talento do monegasco, porque os italianos seguem deficitários. Sainz espremeu Piastri na largada e os dois se prejudicaram. Norris teve que fazer corrida de recuperação, assim como Russell. Hamilton não teve ritmo para brigar pelo pódio, mas a Mercedes segue constante como segunda força.

Diante das circunstâncias, a Aston Martin aproveitou os vacilos alheios para somar bons pontos. Hoje, a Fênix e sua trupe sabem qual o lugar do time na hierarquia da F1. Ocon recoloca a Alpine nos pontos e Tsunoda leva a melhor sobre Ricciardo, ainda assim é pouco para a Alpha Tauri.

Do miolo para trás, há disputa e caos, pena que não vale nada. As forças ficam cada vez mais evidentes e estabelecidas. O que não muda, vocês já sabem: Max Verstappen é um pulverizador. Vai bater o recorde de nove vitórias seguidas do Vettel e estabelecer a maior dominância de uma temporada na história.

É torcer para que no novo regulamento a Red Bull erre ou alguém tire um coelho da cartola. Se não, vai ficar cada vez mais sufocante para os rivais e desinteressante para nós, fãs. As férias de verão na Europa chegam em ótima hora.

Confira a classificação final do GP da Bélgica:


Até!