quarta-feira, 24 de julho de 2019

PICARETAGEM

Foto: Divulgação
"O caso é muito complicado... é muita falcatrua, com um pouquinho assim de vadiagem. Inocente juvenil, não tô de bobeira não."

Com essas palavras de Doutor Gilmar, o post começa. A F1 sempre foi um espaço para negócios escusos com milionários desconhecidos, picaretas querendo aparecer e empresas querendo lavar dinheiro. Personagens tão folclóricos quanto corridas, pilotos ruins e qualquer outra aleatoriedade.

Desde o carismático Vijay Mallya, Tony Fernandes, a falência da Lotus fake e o fanfarrão dono da Virgin que a F1 não via uma sequência bizarra de noticiários envolvendo a tal Rich Energy, patrocinadora da Haas. É claro que entre os populares a coisa fica "patrocinadora da Haas", o que obviamente prejudica a moral e a reputação da equipe, coisa tão valiosa que aprendi na única cadeira de relações públicas que fiz durante a faculdade.

Pois bem, no que consiste a tal Rich Energy e como ela veio parar na Haas?

No ano passado, a tal empresa teve interesse em comprar a então Force India (que foi comprada por Lawrence Stroll) e sondou a Williams, sem sucesso. Acabou conseguindo virar a patrocinadora principal da Haas para esta temporada. Uma empresa de energéticos "super conceituada no Reino Unido" que só vendia produtos pela internet dizendo ser multimilionária. No entanto, contas de 2017 mostravam que só existia quase 600 libras na posse da tal empresa.

A empresa surgiu oficialmente em 2015 com o excêntrico empresário barbudo William Stoney. Essa informação é importante. O objetivo era bater a "concorrente" Red Bull, o energético mais famoso e bem sucedido em diversas ramificações do esporte. No entanto, há uma grande diferença entre querer e poder, vocês sabem.

Mesmo com todas as desconfianças, o excêntrico Stoney sempre negou as dúvidas e seguia confiante que a Rich Energy e a Haas iriam crescer bastante nesta temporada, além de uma linda pintura. Todavia, o resultado nós já sabemos que está horrível: com dois pilotos que não entregam o máximo que o carro pode (principalmente Grosjean), o chassi de 2019 enfrenta vários problemas e a Haas não consegue respostas para sair do naufrágio que se encontra.

Os problemas começaram no dia 14 de maio: a empresa perdeu uma ação judicial movida pela empresa britânica de bicicletas intitulada Whyte Bikes, que acusava a Rich Energy de plágio no logo. Convenhamos que é procedente a suspeita, não?

Sendo assim, a Rich Energy perdeu a ação e foi obrigada a deixar de usar a logomarca. Não só isso. Foram obrigados a abrir as contas da empresa e também pagar uma multa de 35 mil libras para a tal Whyte Bikes. O pagamento era para ter sido feito até 11 de julho, duas semanas atrás.

Na data limite, o Twitter da Rich Energy anunciou o fim do patrocínio com a Haas. Segundo o tal comunicado, o motivo da rescisão era o fato da equipe americana estar com um desempenho "inaceitável", andando atrás até da Williams. Não é mentira, mas um apoiador se posicionar assim as vésperas de uma corrida não é o ideal. Sem tempo, a Haas manteve a pintura do carro.

Virou bagunça: foi anunciado que o autor do Tweet, o excêntrico William Storey, o fez sem a aprovação dos outros investidores da companhia. Após todo esse constrangimento público, um comunicado da Rich Energy anunciou que Storey, o criador, estava fora da empresa. O cara com barba horrorosa disse ser vítima de uma tramoia entre Haas, Red Bull e a tal Whyte Bikes. Maluco total.

É óbvio que a Haas não assistiria isso sem tomar alguma providência. Para isso, os assessores mandaram uma espécie de advertência a Storey: rescindir seria quebra de contrato, válido até 2022, ou então que fosse pago o estipulado pelo contrato: 35 milhões de libras. É óbvio que a tal empresa não tem o valor aproximado disso.

Bem, para finalizar: Storey não é mais acionista e CEO da empresa, que mudou o nome para tentar limpar a barra: Rich Energy agora é Lightning Volt. O novo CEO e acionista majoritário é Matthew Kell. Nem por isso os problemas foram varridos, pelo contrário.

A Red Bull está processando o energético pelo uso do slogan "Te Dá Chifres", o que seria uma violação de direitos autorais da famosa "Te Dá Asas" dos taurinos. Além do mais, o novo logo não é algo realmente novo. Comparem com o logo da Black & Yellow Coffee Bar, da Bélgica:



Pra fechar, uma história que não tem nada a ver com a Rich Energy mas também está ligada a Haas: A dinamarquesa Jack & Jones, que apoia obviamente Kevin Magnussen, tem um bilionário que se chama Anders Holch Povlsen, proprietário do grupo de moda Bestseller e o cara mais rico do país, herança dos pais Merete e Troels Holch Povlsen. Além da Bestseller, Povlsen também é acionista majoritário da marca britânica de moda online ASOS e faz parte do capital da Zalando, especialista alemã em vendas pela internet.

Enfim, em abril ele estava de férias no Sri Lanka com a esposa e os quatro filhos bem quando teve uma série de atentados no país no domingo de Páscoa, que vitimou pelo menos 290 pessoas, dentre elas três dos quatro filhos do bilionário dinamarquês. Que lugar para se passar as férias, não?

Bem, este é o inferno astral da Haas e a picaretagem da empresa de energético que ninguém conhece e que já mudou de nome. Como dizem os antigos, onde Gene Haas foi amarrar o bode?

Até!

terça-feira, 16 de julho de 2019

PROTAGONISTAS

Foto: Getty Images
Todo mundo previa desde quando Charles Leclerc foi promovido para a Ferrari tão jovem que finalmente Max Verstappen teria um antagonista contemporâneo. Hamilton e Vettel caminham para o final da carreira e Bottas é um pouco mais velho, assim como Ricciardo. Então, se nada der errado, este será o principal confronto da nova geração da Fórmula 1, considerando que as forças não irão mudar muito, mesmo com o novo Pacto de Concórdia prometendo mundos e fundos.

Lando Norris, Alexander Albon e George Russell, os estreantes do ano, também prometem bastante, mas dependem de outras circunstâncias, como uma promoção (Albon e Russell) ou o retorno da velha McLaren.

Enfim, voltemos ao tema. O primeiro round deste embate foi na Áustria. Leclerc, ainda inexperiente, não esperava o ataque do agressivo Verstappen, foi jogado para fora e perdeu a corrida. Puto, decidiu agir.

O round 2 foi agora. Um Leclerc que parecia mais preocupado em não deixar o holandês o superar do que qualquer outra coisa. A postura mudou. Passou a jogar o jogo. Foi no limite da agressividade contra o agressivo mor. Se defendeu o quanto pode em uma disputa limpa, deixando claro que de agora em diante Max não vai encontrar moleza. O duelo de dois grandes pilotos que, se tiverem carro e a Ferrari parar de boicotá-lo, terão tudo para serem os protagonistas definitivos da F1.

Em duas etapas, eles já foram. Hamilton já é campeão, Vettel erra em quase todas as corridas. Não são novidades. A disputa de jovens talentos ávidos pelo sucesso e dando tudo o que podem é algo, obviamente, inédito. É isto que o público precisa e busca ao assistir uma corrida. Só o futuro vai dizer se Leclerc e Verstappen irão duelar assim como hoje, mas se tiverem o equipamento certo na hora certa, os dois podem ser o que a F1 precisa para ficar ainda mais interessante, apesar de tentarem matá-la em todo o tempo.

Até!


segunda-feira, 15 de julho de 2019

PARA O ALTO E ALÉM

Foto: Getty Images
Quando Lewis Hamilton será hexacampeão mundial? Muito em breve, em menos de três meses, eu diria. Ganhar seis vezes em casa é um feito único, ainda mais superando a lenda local que é Jim Clark. Merecidamente, Lewis desfruta de todos os momentos, interage, divide os méritos com a Mercedes e simboliza a NeoF1 no sentido mais popular: um pop star multicampeão, sendo reconhecido por quase todo mundo, mesmo aqueles que sequer assistiram uma largada de uma corrida.

Apesar da vitória ter sido uma questão de tempo diante da pressão que era imposta a Bottas, tudo ficou mais fácil quando, sabe se lá porque, a direção de prova resolveu enfiar um Safety Car quando Giovinazzi errou e parou na brita. Certamente é o efeito Bianchi. Embaralhou tudo, bem na hora que Bottas tinha parado e Lewis não. Voltou na frente e disparou. A Mercedes sobrou. Mesmo Bottas suportando aos ataques de Hamilton no primeiro stint, ninguém era capaz de se aproximar, até porque a Ferrari com pneus macios é mais lenta que a Red Bull. Um passeio no parque dos prateados, que conseguiram a humilhante situação de fazer Bottas parar e mesmo assim Hamilton fazer a volta mais rápida na última volta com os pneus duros bem mais desgastados. Um belo golpe no moral do finlandês, "único adversário" de Lewis, sendo bem generoso.

Foto: Getty Images
O que transformou o GP da Inglaterra em uma grande corrida foi a disputa Ferrari-Red Bull. Leclerc segurava Verstappen, enquanto Vettel e Gasly tentavam aproveitar as sobras. Sim, pasmem, Gasly teve um desempenho decente depois de ser obrigado a usar o setup do holandês e incomodou até o fim. O Safety Car beneficiou ele e Vettel, alçados a terceiro e quarto em um instante. No entanto, o grande destaque da corrida foram as disputas entre Leclerc e Verstappen. O monegasco, puto com a derrota da última prova, parecia determinado a tudo, inclusive bater, menos ser deixado para trás novamente. Ele aprendeu a lição: para lidar com Verstappen é preciso agir que nem ele. O que foi feito? Fechadas bruscas, idas ao limite e mudanças de traçado que, pasmem, fizeram o holandês reclamar do próprio modus operandi.

No entanto, mais uma vez a Ferrari parece boicotar Charles: chamou ele tarde para os boxes, ainda assim no mesmo instante que Max, mas os mecânicos da Red Bull foram mais rápidos e foi superado. É inacreditável, só pode ser de propósito. É muita incompetência da equipe de estratégia, parecem que são geridos por macacos de zoológico. Verstappen parecia determinado a repetir a dose da Áustria, mas não esperava por Vettel: ao ser ultrapassado, o alemão tentou devolver, mas Max faz aquela famosa mudança rápida na defesa de posição e o alemão, afobado, acabou atropelando a traseira da Red Bull.

Foto: Getty Images
Vettel comete um erro por corrida praticamente. Faz muito tempo que não é mais o líder que a Ferrari necessita. É um arremedo do que já foi. A cada corrida que passa, fica claro como os quatro títulos são mais do que o talento que possui. A punição de dez segundos foi barata. O alemão tem que perder posições no grid da próxima etapa. Uma queda vertiginosa que é constrangedora, mais até do que terminar atrás das duas Williams. Justiça poética a parte, só assim para Leclerc conquistar o terceiro lugar. Mesmo com o carro todo danifiado, Max conseguiu salvar uma quinta posição. Gasly, pasmem, ficou a frente. É a ressurreição do francês? Agora vai?

O melhor do resto é indiscutivelmente Carlos Sainz. Pode não ser o mais rápido, mas é o que melhor aproveita as circunstâncias e também é o mais cosntante. Teve sorte com a entrada do Safety Car. Mesmo assim, um ótimo sexto lugar e segurando Daniel Ricciardo. Azar para Norris, que deveria estar ali, mas a McLaren não o chamou para os boxes e acabou fora da zona de pontuação. Oportunista, o experiente Raikkonen segue carregando a Alfa Romeo, que tem em Giovinazzi uma figura quase nula e bem ameaçada para o restante do ano.

Outro destaque é o Highlander Kvyat, que largou na rabeira do grid e conseguiu mais dois pontos. Gosto muito desse russo e fico feliz que na Toro Rosso ele está retomando a confiança dos tempos em que surgiu. Hulkenberg, coadjuvante de Ricciardo, completou o top 10.

A Haas vira chacota por quase tudo. É o patrocinador picareta escrevendo idiotice nas redes sociais e também os dois pilotos que são trapalhões, se bateram na largada e abandonaram. Grosjean já faz hora extra e Magnussen não é muito melhor. Por mais que o Gunther Steiner seja durão e até carismático, também é responsabilidade dele manter esses dois sabendo que não entregam o (pouco) que a Haas faz em 2019. Pietro Fittipaldi seria a solução?

Bom, agora faltam 11 vitórias para Hamilton igualar Schumacher. Em menos de um ano, o penúltimo recorde inimaginável será quebrado. Para o alto e além, este é o lema do cada vez mais perto do hexa Lewis Hamilton.

Confira a classificação final do GP da Inglaterra:


Até!

sexta-feira, 12 de julho de 2019

O MUNDO NÃO É O BASTANTE

Foto: Getty Images
Depois de muita novela e jogo de cena, finalmente confirmaram o autódromo de Silverstone na F1 até 2024. Ruim ou não, é parte da história, e nela não se pode tocar. É tradição, simples.

Bom, não vi nenhum dos treinos, mas pelo vi pode (ou deve) ser mais um passeio no parque das Mercedes. A Ferrari não parece competitiva com os pneus mais macios, ou seja, já é carta fora do baralho para o qualyfing. No entanto, na corrida a coisa pode ficar um pouco melhor mas nem muito, até porque estamos tratando da Ferrari, né.

O mais interessante desse treino foram os franceses. Pierre Gasly, obrigado a usar o setup de Max Verstappen, superou o holandês nos dois treinos. Será que temos uma "gaslada", uma carta na manga, um segredo revelado? Coincidência ou não, isso acontece justamente na semana onde a Red Bull terá o patrocínio do filme 007, que tem parceria com a Aston Martin, em comemoração ao 1007 GP da história da Fórmula 1. Boa sacada.

Foto: Getty Images
Já faz anos que escrevo que Grosjean já não tem mais condições de estar na F1. Sempre cometeu cagadas, mas ao menos era razoavelmente veloz. Hoje, comete mais cagadas ainda e é lento, constantemente batido por Magnussen, além de muito chato. Com a idade, passou a ser mais errático ainda, o que é inacreditável. Virou um Maldonado blasé. A Haas, que vive todo esse imbróglio bizarro com essa marca de energéticos picareta que só lava dinheiro (se é que tem), precisa de resultados e do mínimo de erro possível, e já faz tempo que o francês não é esse cara. Não entendo como o Gunther Steiner tem tanta paciência com ele. Hoje, Grosjean conseguiu a proeza de bater nos boxes e só foi mais rápido que as Williams.

Nesse contexto de 007 e cia, aproveito para encerrar escrevendo o seguinte: o mundo não é o bastante para Lewis Hamilton. Ele já o conquistou cinco vezes e agora caminha para a sexta vez, sem concorrentes, sem nada. Será que ele vai vencer pela sexta vez também em Silverstone e tornar-se o maior vencedor do GP da Inglaterra?

Confira a classificação dos treinos livres:



Até!


quinta-feira, 11 de julho de 2019

GP DA INGLATERRA - PROGRAMAÇÃO

O Grande Prêmio da Inglaterra foi disputado pela primeira vez em 1948. Atualmente é disputado em Silverstone, perto da cidade de mesmo nome, em Northamptonshire. Juntamente com o GP Italiano, são as duas únicas corridas que figuram no calendário de todas as temporadas da Fórmula 1, desde 1950.

Já foi disputado em Aintree (1955, 1957, 1959, 1961 e 1962), Brands Hatch (1964, 1966, 1968, 1970, 1972, 1974, 1976, 1978, 1980, 1982, 1984 e 1986) e Silverstone (1950 até 1954, 1956, 1958, 1960, 1963, 1965, 1967, 1969, 1971 1973, 1975, 1977, 1979, 1981, 1983, 1985, 1987 - presente), que teve seu traçado reformado em 2010.


ESTATÍSTICAS:
Melhor volta em corrida: Lewis Hamilton - 1:30.621 (Mercedes, 2017)
Pole Position: Lewis Hamilton - 1:25.892 (Mercedes, 2018)
Último vencedor: Sebastian Vettel (Ferrari)
Maior vencedor: Jim Clark (1962, 1963, 1964, 1965, 1967), Alain Prost (1983, 1985, 1989, 1990 e 1993) e Lewis Hamilton (2008, 2014, 2015, 2016 e 2017) - 5x

EMPOLGOU

Foto: Getty Images
Depois da primeira vitória no retorno à Fórmula 1, a Honda ainda assim sabe que precisa melhorar bastante para ser plenamente competitiva na categoria, principalmente em relação a Mercedes e Ferrari. Mesmo com menos potência, os taurinos estão conseguindo incomodar (e agora superar) os ferraristas. Tudo isto faz com os japoneses também tenham planos de desenvolver um motor "modo festa", exclusivamente para o Q3 dos treinos classificatórios, visando uma melhor posição de largada e, portanto, maior possibilidade de ter um melhor resultado nas corridas.

“Nós vemos uma grande distância na classificação, comparando com os outros”, disse Toyoharu Tanabe, diretor da Honda na F1. “Ainda estamos atrás na corrida, mas não tanto quanto na classificação. Isso significa que o próximo passo que precisamos dar correr atrás com um modo de classificação ou algo assim, mas não é fácil”, seguiu.

Mesmo sem grandes posições de largada, Max Verstappen entrega tudo o que pode e mais um pouco, como ficou evidenciado na última corrida. No entanto, o tal "modo festa" vai demorar para ser implantado.

“Nós tentamos levar nosso motor ao máximo possível. Não é fácil aumentar [a potência] imediatamente, mas estamos melhorando, talvez com a próxima atualização. Mas não é algo que acontece para a próxima corrida”, encerrou.


Tomara que Honda e Red Bull consigam evoluir a passos largos para se tornar uma terceira força que brigue mais constantemente com as duas outras, ou no caso a Mercedes. Max é o cara que vai trazer os resultados, mesmo ainda existindo dúvidas sobre se é capaz de se manter constante ao longo da temporada, algo que atualmente ele está conseguindo. Seria uma linda história de superação e volta por cima de quem até pouco tempo era vista como chacota.

WILLIAMS QUER MOTORES RENAULT PARA 2020

Foto: Getty Images
Provavelmente zerada até o fim do ano, a Williams já pensa em mudanças para a próxima temporada. Uma delas é a provável saida de Robert Kubica, que pode acontecer ainda neste ano. No entanto, a equipe de Grove já trabalha com a possibilidade de um novo fornecedor de motores.

Segundo o jornal alemão 'Autobild', os britânicos já iniciaram tratativas com a Renault. Os motivos são vários: apesar do motor Mercedes ser o melhor, ele é muito caro para a Williams, ainda mais nessa situação quase falimentar. Um motor Renault, mais barato e mostrando claros sinais de evolução com a McLaren, pode ser uma medida interessante para a equipe despejar o dinheiro que poupar em possíveis melhorias aerodinâmicas.

Uma situação curiosa é que a equipe, que usa motor Mercedes desde 2014, tem George Russell muito em virtude desta parceria. Será que o britânico também deixaria o time no fim do ano por essas questões políticas e contratuais?


Outra informação do jornal alemão é que, se essa troca acontecer, haveria uma possibilidade do retorno da dobradinha McLaren Mercedes, o que duvido que aconteça, diante dos acontecimentos dos últimos dias.

CLASSIFICAÇÃO:
1 - Lewis Hamilton (Mercedes) - 197 pontos
2 - Valtteri Bottas (Mercedes) - 166 pontos
3 - Max Verstappen (Red Bull) - 126 pontos
4 - Sebastian Vettel (Ferrari) - 123 pontos
5 - Charles Leclerc (Ferrari) - 105 pontos
6 - Pierre Gasly (Red Bull) - 43 pontos
7 - Carlos Sainz Jr (McLaren) - 30 pontos
8 - Lando Norris (McLaren) - 22 pontos
9 - Kimi Raikkonen (Alfa Romeo) - 21 pontos
10- Daniel Ricciardo (Renault) - 16 pontos
11- Nico Hulkenberg (Renault) - 16 pontos
12- Kevin Magnussen (Haas) - 14 pontos
13- Sérgio Pérez (Racing Point) - 13 pontos
14- Daniil Kvyat (Toro Rosso) - 10 pontos
15- Alexander Albon (Toro Rosso) - 7 pontos
16- Lance Stroll (Racing Point) - 6 pontos
17- Romain Grosjean (Haas) - 2 pontos
18- Antonio Giovinazzi (Alfa Romeo) - 1 ponto

CONSTRUTORES:
1 - Mercedes - 363 pontos
2 - Ferrari - 228 pontos
3 - Red Bull Honda - 169 pontos
4 - McLaren Renault - 52 pontos
5 - Renault - 32 pontos
6 - Alfa Romeo Ferrari - 22 pontos
7 - Racing Point Mercedes - 19 pontos
8 - Toro Rosso Honda - 17 pontos
9 - Haas Ferrari - 16 pontos

TRANSMISSÃO










quarta-feira, 10 de julho de 2019

O FUTURO JÁ COMEÇOU

Foto: Grande Prêmio
Hoje a festa é sua, hoje a festa é nossa...

Digo, vamos começar pela ordem cronológica: McLaren e Alonso rescindiram o contrato e agora o espanhol está oficialmente sem equipe e categoria alguma, diante do término do WEC. Claro que a péssima participação com a parceria da Carlin na Indy 500 foi o estopim para tudo isso. O espanhol deve continuar tentando a participação, apesar do futuro ser um grande mistério. Existem datas marcadas para o segundo semestre, mas onde? Indy o ano todo ele não quer e o resto são apenas testes. Ou seja, a F1 seria um caminho natural, mas...

Nesta terça, a McLaren foi a primeira equipe a se movimentar no mercado de pilotos para 2020, ou, melhor escrevendo, a manter. Carlos Sainz e Lando Norris seguem na equipe para o ano que vem, fruto da surpreendente e rápida evolução da McLaren com um novo chassi aliado ao motor Renault.

O resultado, por enquanto, é o time de Woking sendo a quarta força nos construtores e com Sainz "o melhor do resto" na tabela de classificação, mesmo abandonando várias corridas no início do ano. Apesar de não ser vistoso, o espanhol cumpre muito bem seu papel. Apesar de uma temporada decepcionante na F2 e a ascensão para a F1 ter sido vista como um passo além da perna, Norris está mostrando que não é bem assim, crescendo a cada corrida e confirmando o status de promessa que carrega há alguns anos. Em time que está ganhando não se mexe, certo?

Alonso poderia voltar para a McLaren, mas como a onda de acontecimentos mostrou, não é bem assim. Outra alternativa era a Red Bull, onde Pierre Gasly é a bola da vez do verão europeu. Diante da falta de talentos ou destes serem muito crus para ascender aos taurinos, um bicampeão livre no mercado para disputar posição com Max Verstappen seria tudo o que a categoria queria, não? A Red Bull poderia pensar o mesmo, mas o problema é a Honda. Ou melhor: a relação que inexiste entre Honda e Alonso depois de anos desgastantes na McLaren. Mais uma vez o péssimo timing e gerenciamento de carreira fazendo a diferença na vida de Alonso... E aí, qual o futuro do espanhol? E Gasly? Hulkenberg seria o substituto? Com Hulk saindo da Renault, entraria Ocon?

Na Mercedes, Bottas parece murchar cada vez mais. A pressão do contrato de um ano e o fato de disputar com o melhor da atualidade sempre são fatores "acentuantes". Soma-se a isso o fato de Esteban Ocon estar sem uma cadeira e, diante da impossibilidade de Toto Wolff o devolver para o grid, é bem possível que o francês seja alçado a titular no próximo ano. Ocon não fez o suficiente para subir para o principal carro da categoria, mas na neoF1, "a base vem forte". Numa hipotética saída, para onde iria Bottas?

Ricciardo segue preocupado com o desempenho da Renault na temporada. O pior de tudo é que ninguém sabe qual é realmente o problema do chassi, e por isso é que a cada corrida é uma incógnita: pode ser algo como o GP do Canadá ou então o GP da França. Mesmo assim, o australiano deixou claro que vai cumprir os dois anos de contrato e rechaçou uma possível ida para substituir Vettel na Ferrari. E para 2021? O que será de Ricciardo? Terá espaço em uma equipe de ponta? A Renault irá se tornar uma equipe de ponta?

Algumas perguntas soltas para vocês, até porque a silly season deste ano promete ser mais agitada do que a do ano passado. Tirando Hamilton, Vettel, Leclerc, Raikkonen, Verstappen, Stroll e a dupla da McLaren, o resto ainda carece de confirmações durante os próximos meses.

Até!

terça-feira, 2 de julho de 2019

MAX MUDOU

Foto: Getty Images
No início da temporada passada, escrevi este texto aqui sobre o péssimo início de temporada de Max Verstappen, repleto de erros e acidentes em tão poucas corridas. Ali, resumidamente, escrevi que Max precisava mudar o estilo de pilotagem: mais cerebral e menos porra louca inconsequente.

Durante a temporada, Max ainda bateu nos treinos em Mônaco, corrida que o companheiro dele, Ricciardo, venceu. De lá pra cá, tudo mudou: o holandês chegou a experimentar não ter a presença do pai nas corridas e o desempenho melhorou. Mais constante e fazendo o máximo que podia com a terceira força que era (e ainda é) o carro da Red Bull. Muitos pódios e uma vitória que caiu dos céus na Áustria, um domínio no México e uma vitória tirada no Brasil graças a idiotice do Ocon.

Meu grande ponto de interrogação era saber se Max manteria essa constância para este ano. Diante das atuações e resultados que teve, já estava na vontade de escrever este texto, mas esperei até vir alguma vitória que parecia improvável, não para Max.

Contrariando o meu título, talvez Max não tenha mudado. Ele continua selvagem e agressivo, sem desperdiçar toda e qualquer chance de ultrapassagem que existe. Não costuma negociar e é bem duro quando preciso, como ficou evidenciado na última corrida. Max na verdade amadureceu. Apesar de apenas 21 anos (vai ter 22 em setembro), já é a quinta temporada na Fórmula 1. Parece um jovem veterano, pois é isso que a categoria faz, cada vez mais precoce.

Como o próprio disse em uma entrevista bem recente, a própria Fórmula 1 foi o tubo de ensaio de Max. Os erros bobos e infantis, natural de alguém bem jovem, foram cometidos todos para o mundo inteiro ver, onde a cobrança é maior e algumas questões são quase intoleráveis. Não é bem esse o padrão, até porque Max deve ser o único da história a estrear na categoria com menos de 18 anos. Todos os outros já chegam na categoria com alguma razoável experiência e ambientação, sendo assim, improvável de cometer tantos erros "bobos". Leclerc e Russell, novatos desta temporada, são exemplos.

O desafio final de Max, hoje, depende mais da Red Bull e da Honda do que dele. Se mesmo com a terceira força o cara já conseguiu seis vitórias em quatro temporadas, além de outras atuações exuberantes e tirando tudo o que o carro pode e mais um pouco (principalmente em 2019), o que Max faria com um carro um pouco mais competitivo? Aí sim seria o grande de Max: como ele se comportaria sendo a vidraça e o candidato a título ao invés de apenas mais um franco atirador selvagem e talentoso que não quer desperdiçar as poucas chances que tem de vencer.

É o que todos estão torcendo que aconteça, eu suponho.

Até!