quinta-feira, 18 de junho de 2026

LEGADO

 

Foto: Getty Images

Lewis Hamilton não precisa provar nada para ninguém há tempos. Está indiscutivelmente no Monte Rushmore do esporte. Não há nada que ele possa fazer para “sujar” as conquistas de quase 20 anos de carreira, sendo praticamente todas elas no topo ou quase isso, uma raridade.

A ida para Ferrari era um passo despretensioso que aumentaria ainda mais seu tamanho. O desafio de tentar reerguer a maior equipe da história, que quase sempre é uma bagunça ambulante. O próprio desafio e realização, sem pressão, de realizar o sonho que qualquer piloto tem em estar naquele cockpit vermelho.

Analisar o resultado final disso é praticamente irrelevante. Muitos o criticaram por ser inferior a Leclerc em 2025. Honestamente? Isso era esperado e irrelevante: quem se importa se um cara de mais de 40 anos seja derrotado pelo presente e futuro da equipe, “o predestinado”? De novo: Sir Lewis não precisa provar nenhum ponto.

Principalmente se considerarmos que, atualmente, uma temporada perdida é difícil de ser recuperada pois, diferentemente da era Schumacher, por exemplo, os testes não são mais ilimitados. Claro, como competidor visceral que é, Hamilton se abala e fica insatisfeito com o próprio desempenho. A frase dos fãs serviu como um mantra para reerguê-lo: relembre-se de quem você é.

Uma jornada sem dramas. Claro, se você tem 105 vitórias e 7 títulos e guia a única equipe com torcedores no mundo, tudo é mais oito ou oitenta. Piorar não seria possível pelo próprio piloto. A Ferrari precisava ajudar e ajudou. Neste ano, se o motor evoluir, os italianos ainda podem incomodar a Mercedes e quem sabe sonhar.

Na hora do vamos ver, o que observamos é o heptacampeão aparecendo na hora certa e Leclerc sendo o instável errático da juventude, atribuindo a culpa a freios ou qualquer outra coisa. Em Barcelona, palco especial e mítico, tudo se ajeitou. Os italianos finalmente pensaram corretamente e aproveitaram a circunstância gerada pelo abandono de Alonso (quem diria) para dar um nó na Mercedes.

Talvez o resultado final poderia ter sido o mesmo, mas de outra forma. No fim, a sorte sorriu e Hamilton foi Hamilton, azarando Kimi Antonelli e George Russell, o neo David Coulthard.

A última vez que o maior vencedor da história se encontrou com a maior equipe da história foi há quase 20 anos. A vitória 91 de Michael Schumacher. Tudo parece farsa.

30 anos depois da mítica primeira vitória do alemão na Ferrari na chuvosa Barcelona, o mesmo palco coroa a primeira vitória de Hamilton, a número 106, no sol e na despedida de Montmeló, substituída por mais um circuito de rua insuportável, agora nas proximidades de Madri.

Vencer pela Ferrari é diferente, goste você do clichê ou não. Com mais de três dígitos de triunfos, certamente esse é um dos inesquecíveis da carreira do Sir. No mesmo nível da primeira vitória no Canadá, a batalha em Indianápolis contra Alonso, a vitória com três rodas, a vitória de Interlagos saindo do fim do grid, entre outras.

A vitória de Barcelona é o sinônimo de legado. Hamilton já completou quase todo o quebra-cabeça. Faltaria, para os chatos, o título pela Ferrari. Não duvidem dele.

Até!

segunda-feira, 25 de maio de 2026

ACACHAPANTE

 

Foto: AP

25 voltas de trocação, ultrapassagens, erros, disputas e reviravoltas. Eu não lembro de ver uma batalha incessante assim durar tanto tempo, ainda mais se considerarmos que os protagonistas eram da mesma equipe.

Apesar da nítida proteção ao mais experiente George Russell, Kimi Antonelli vem mostrando em 2026 porquê sempre foi considerado o próximo fenômeno pós-Verstappen. Ele decidiu crescer e evoluir justo agora que as flechas de prata voltaram ao topo com o novo regulamento. Ele tem vasta margem para progressão, mas a experiência do ano passado e a evolução natural fazem com que fique evidente a diferença para George Russell.

A chance do britânico é pela constância. Nem isso ele está tendo nessa temporada. Teve azar no Canadá e, em condições normais, foi superado no restante. Ainda é cedo para ser definitivo, pois não estamos nem próximos da metade do caminho, mas Kimi está com a confiança em alta. Ele não é Piastri. Ele também é protegido de Toto.

Ano passado, muita gente questionou o jovem por estar tão atrás de Russell. Era normal para um adolescente se ambientar na nova categoria com um cara duro do lado. Lembro das críticas infundadas. Ninguém é alçado assim para a F1 sem ter algo em troca. Lembramos, principalmente na época que este blog era mais ativo: o cara sempre foi considerado fenômeno e disputado a tapa pelas grandes desde quando era pré-adolescente.

Kimi ainda tem uma vantagem particular, ou ao menos algo que é incomum: é apoiado pelos campeões. Tanto Max quanto Lewis ficam genuinamente felizes com o sucesso do italiano. Claro, eles já estiveram lá e viveram muita das batalhas que Antonelli ainda terá se quiser ser o campeão mais jovem da história. O talento é inegável, mas apenas isso não basta.

Max, quando foi atropelado por Kimi ano passado, não foi aquele piloto que geralmente é quando lhe atrapalham. Hamilton, que saiu (ou antecipou a saída para a Ferrari), o levantou depois de sair do carro e conquistar o pódio pela Ferrari, ultrapassando por fora o tetracampeão da Red Bull.

A foto do pódio pode representar muita coisa para o futuro, como quando Prost, Senna e Schumacher estiveram lá uma única vez, ou até mesmo Alonso, Kimi e Schumacher estiveram juntos em Valencia ou até mesmo o pódio com mais títulos na história, quando Vettel, Hamilton e Max estiveram lá já há quase dez anos.

Antonelli confirma e surpreende por sobrar nesse início. A Mercedes não parece ter adversários. O único, que é Russell, precisa acordar e voltar a resgatar a confiança abalada pelas quebras e o ritmo do líder do campeonato. Muita calma nessa hora, mas fazer o que Kimi está fazendo mostra o quão diferente ele sempre foi desde tenra idade.

Até!