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| Foto: Getty Images |
Lewis Hamilton não precisa provar nada para ninguém há tempos.
Está indiscutivelmente no Monte Rushmore do esporte. Não há nada que ele possa
fazer para “sujar” as conquistas de quase 20 anos de carreira, sendo praticamente
todas elas no topo ou quase isso, uma raridade.
A ida para Ferrari era um passo despretensioso que
aumentaria ainda mais seu tamanho. O desafio de tentar reerguer a maior equipe
da história, que quase sempre é uma bagunça ambulante. O próprio desafio e
realização, sem pressão, de realizar o sonho que qualquer piloto tem em estar naquele
cockpit vermelho.
Analisar o resultado final disso é praticamente irrelevante.
Muitos o criticaram por ser inferior a Leclerc em 2025. Honestamente? Isso era
esperado e irrelevante: quem se importa se um cara de mais de 40 anos seja derrotado
pelo presente e futuro da equipe, “o predestinado”? De novo: Sir Lewis não
precisa provar nenhum ponto.
Principalmente se considerarmos que, atualmente, uma temporada
perdida é difícil de ser recuperada pois, diferentemente da era Schumacher, por
exemplo, os testes não são mais ilimitados. Claro, como competidor visceral que
é, Hamilton se abala e fica insatisfeito com o próprio desempenho. A frase dos
fãs serviu como um mantra para reerguê-lo: relembre-se de quem você é.
Uma jornada sem dramas. Claro, se você tem 105 vitórias e 7
títulos e guia a única equipe com torcedores no mundo, tudo é mais oito ou
oitenta. Piorar não seria possível pelo próprio piloto. A Ferrari precisava
ajudar e ajudou. Neste ano, se o motor evoluir, os italianos ainda podem
incomodar a Mercedes e quem sabe sonhar.
Na hora do vamos ver, o que observamos é o heptacampeão aparecendo
na hora certa e Leclerc sendo o instável errático da juventude, atribuindo a culpa
a freios ou qualquer outra coisa. Em Barcelona, palco especial e mítico, tudo
se ajeitou. Os italianos finalmente pensaram corretamente e aproveitaram a circunstância
gerada pelo abandono de Alonso (quem diria) para dar um nó na Mercedes.
Talvez o resultado final poderia ter sido o mesmo, mas de
outra forma. No fim, a sorte sorriu e Hamilton foi Hamilton, azarando Kimi
Antonelli e George Russell, o neo David Coulthard.
A última vez que o maior vencedor da história se encontrou
com a maior equipe da história foi há quase 20 anos. A vitória 91 de Michael
Schumacher. Tudo parece farsa.
30 anos depois da mítica primeira vitória do alemão na
Ferrari na chuvosa Barcelona, o mesmo palco coroa a primeira vitória de
Hamilton, a número 106, no sol e na despedida de Montmeló, substituída por mais
um circuito de rua insuportável, agora nas proximidades de Madri.
Vencer pela Ferrari é diferente, goste você do clichê ou
não. Com mais de três dígitos de triunfos, certamente esse é um dos
inesquecíveis da carreira do Sir. No mesmo nível da primeira vitória no Canadá,
a batalha em Indianápolis contra Alonso, a vitória com três rodas, a vitória de
Interlagos saindo do fim do grid, entre outras.
A vitória de Barcelona é o sinônimo de legado. Hamilton já
completou quase todo o quebra-cabeça. Faltaria, para os chatos, o título pela
Ferrari. Não duvidem dele.
Até!

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