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segunda-feira, 15 de setembro de 2025

OS CARAS CERTOS

 

Foto: Divulgação

Na semana passada, a Cadillac anunciou a primeira dupla de pilotos da história da equipe, que irá estrear na F1 em 2026. O resultado é óbvio e não surpreende ninguém, mas ainda assim há um certo choro patriótico.

Bottas e Pérez, os dois veteranos que ficaram a pé neste ano, foram os escolhidos. A justificativa é mais do que óbvia: em um novo regulamento e com uma equipe novata, onde tudo é novidade, ter dois pilotos experientes e acostumados com o topo será primordial para a ambientação na F1. Eles sabem o que fazer e o que não fazer para serem competitivos.

Em uma categoria onde há pouco espaço para testes, experiência é fundamental. Junta-se a situação de uma equipe criada do zero e temos a fórmula perfeita. A realidade sempre bate a porta. Lembram que a ideia inicial era colocar um piloto americano entre os titulares? Bom, isso só será possível mais adiante se a Cadillac se desenvolver bem nesse tanque de tubarões.

A úlitma estreante foi a Haas, há dez anos. A fórmula não foi diferente, pelo contrário. Eles escolheram Grosjean e Gutiérrez. Ok, o mexicano veio pela grana também (assim como Pérez) e porque na época era piloto Ferrari (até hoje a Haas tem parceria técnica com os italianos; Bearman estar lá não é por acaso também).

Não sei porque, mas lembro de quando Caterham, HRT e a Virgin estrearam lá por 2010, onde eram tão lentos que eram considerados outra categoria. Confesso ter esse temor que aconteça com os americanos. No pior dos casos, Pérez e Bottas estão acostumados também com esses momentos.

A chiadeira é pela busca de novatos ou jovens talentos. Em tese, uma nova equipe possibilita mais duas vagas que o mundo de pilotos com patrocinadores e academias de pilotos dificultam a presença de um Hulkenberg da vida. Aqui, fazem uma campanha descabida querendo que o Drugovich tivesse a vaga. Sejamos sinceros: até o Mick Schumacher teria mais chance.

Não sou hater. É preciso somente entender o óbvio: por que alguém que foi campeão de um grid esvaziado em 2022 no terceiro ano na categoria depois de apanhar do Zhou (que foi convidado a se retirar da F1) teria chances se, desde então, não correu em mais nada? É preciso aceitar: o timing de Drugovich passou, infelizmente. Se algum novato merecesse chance, hoje em dia, um nome muito mais aceitável e coerente seria o Leonardo Fornaroli, campeão da F3 em 2024 e atual líder da F2, repetindo o que Oscar Piastri e Gabriel Bortoleto fizeram.

A Cadillac escolheu os caras certos para começar a empreitada na F1. Se vai dar certo ou não, só o futuro dirá.

Até!

segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

O SONHO AMERICANO (E EUROPEU)

 

Foto: Getty Images

A birra era com a Andretti. A partir do momento em que Michael saiu de cena, a F1 aprovou e anunciou a entrada da GM/Cadillac como a 11ª equipe da categoria a partir de 2026, quando o novo regulamento entra em vigor.

Bem, os Andretti continuam nos bastidores. Mario, o campeão mundial de 1978, vai ser uma espécie de consultor. O ex-campeão deu alguns detalhes de como vão funcionar os primeiros anos do time.

A ideia é a Ferrari fornecer motores para a equipe nas duas primeiras temporadas. A GM/Cadillac entraria na parada a partir de 2028.

Com 11 equipes, isso significa mais vagas para pilotos e mais empregos. Todo mundo sai ganhando. No entanto, sabemos que os americanos vão precisar de tempo, paciência e muito dinheiro.

Peguem o exemplo da Honda quando voltou para a F1 em 2016 para reviver a mítica parceria com a McLaren. Milhões de euros foram despejados nos primeiros e nada. Problemas e chacotas. Tudo bem, os japoneses pegaram o meio do regulamento com poucas possibilidades de testes, mas os frutos só foram colhidos quase uma década depois com a Red Bull.

Considerando entre sete e dez anos de competição, iniciando em 2028, a Andretti seria minimamente competitiva em 2035, em tese. Bom, tudo isso é baseado no histórico recente da categoria. Não dá para imaginar tão longe assim, mas o início é sempre difícil. A Haas é um exemplo disso. A Audi, outra estreante, pode passar por apertos, embora vá utilizar a estrutura da Sauber.

O outro ponto óbvio da inclusão de mais um time americano é a chegada de outro piloto americano. Está quase tudo definido: os americanos agora mandam na F1, tem trocentas corridas, duas equipes, mas falta um rosto, um talento. Logan Sargeant não era esse cara. Quem seria?

O candidato natural, já especulado anos atrás, é Colton Herta. Ele seria uma espécie de novo Scott Speed para alavancar ainda mais os interesses na terra do Tio Sam. Será que realmente precisa disso tudo? A própria GM/Cadillac diz que sim, a ideia é privilegiar os talentos americanos, acostumados a Nascar e a monopostos inferiores como a Indy. Tudo faz parte do marketing.

A inclusive de uma 11ª equipe é uma boa notícia em meio a tantas desgraças na F1. É o número tradicional, mínimo e aceitável, ao menos desde quando me conheço por gente quando acompanhava a categoria. 

Em menos de uma década, a Liberty realiza tudo o que Bernie Ecclestone não conseguiu: conquistar o sonho americano (e europeu). Mal o Bernie sabia que bastava só fazer uma série e dramatizar a vida dos pilotos e chefes de equipes com filmagens esporádicas durante o ano.

Até!

quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

MEDO, DELÍRIO E ESPERANÇA

 

Foto: Getty Images

A grande notícia desse início de ano da F1, ainda de férias ou então num retorno lento aos trabalhos no início do inverno europeu, foi a declaração mais incisiva da Andretti no desejo de entrar na F1 como uma equipe.

Não só em declaração, mas também em uma ação. Michael Andretti anunciou o projeto da equipe Andretti em parceria com a gigante General Motors, com o apoio dos motores Cadillac. No primeiro momento, pela falta de tempo, o nome seria apenas um batismo de marketing e a busca seria com uma parceira, por exemplo a Honda ou a Renault. Depois, os americanos entrariam de cabeça para serem competitivos.

No início do ano, o presidente da FIA, Mohammed Bin Sulayem, disse que a categoria estava disposta e precisava de mais equipes na F1. Há uma nítida rixa entre a Federação e a F1. Stefano Domenicali sempre foi mais frio e esnoba o desejo americano, assim como a maioria das equipes. Somente Alpine e McLaren, do também americano Zak Brown, que hoje são favoráveis a ideia da inserção de Andretti.

Há aí o choque: a F1 não quer mais uma equipe porque as equipes teriam que repartir em mais uma parte o bolo do que ganham. Isso, claro, num contexto de crise, pós-pandemia e novo regulamento, é um desastre para todos, sobretudo quem está no meio e final de tabela. A F1 não quer repetir a última experiência, quando Marussia, Caterham e HRT entraram e pareciam times de GP2 na categoria principal.

Bom, o processo é lento. A Honda demorou anos para ser competitiva. Grandes montadoras fracassaram. Só agora que a Alpine é quarta força e, em seis anos, teve apenas uma vitória. A Andretti não é liderada por amadores aventureiros. Claro, a F1 é um animal diferente, mas o descrédito existente da categoria com os americanos é surreal. É contra a lógica, aliás.

Com três corridas no calendário e agora Logan Sargeant, outro time americano, com Colton Herta, seria mais um passo para popularizar ainda mais a categoria na terra do Tio Sam, trazendo mais visibilidade, engajamento e oportunidade de negócios para todos os envolvidos. É uma mesquinharia do clubinho europeu, no fundo, esse protecionismo de Domenicali e os times. O que os compatriotas da Liberty pensam sobre isso?

A palavra é esperança. Não, isso não é uma peça publicitária de banco, supermercado ou manteiga, mas a insistência da Andretti (e de outros projetos, segundo Domenicali), a insistência e aprovação da FIA e a presença dos americanos da Liberty na liderança do negócio é um ótimo sinal. Vai ser difícil desatar esse nó com os times e o lado europeu mas, em todo caso, Ben Sulayem poderia dar uma canetada. Afinal, ele quem manda, certo?

Mais equipes são mais trabalhadores, pilotos, patrocínios e um circo cada vez mais cheio. O bolo cresce, não diminui. Ok, ele pode diminuir no primeiro momento e isso soa desesperador para quem não tem os bolsos fundos, mas estamos falando da Andretti. Há de se ter crédito e respeito por esse sobrenome tão importante no automobilismo. A F1 precisa de no mínimo mais uma equipe para o bem da própria competição.

Chega de soluções artificiais e Netflix. A F1 precisa de medidas realmente eficazes e realmente competitivas para que a categoria cresça ainda mais, de forma natural, fluida e próspera em todos os sentidos. Que esse seja o primeiro sopro de esperança da Andretti nessa jornada rumo a 2026, que já tem a Audi e, esperamos, também tenha a Porsche acompanhada do grande sonho americano.

Até!