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| Foto: Getty Images |
O campeonato mais longo da história não vai premiar
injustiça. Quer dizer... nenhum campeonato é justo. Na verdade é o contrário.
Quanto maior o campeonato, mais possível é errar. O acúmulo de erros pode
definir um campeonato.
Em um calendário menor, erros são muito mais fatais. Esse
campeonato teve uma mistura de 1999 com 1996 e 1997. Muitos erros em um
calendário lotado, onde na maior parte do tempo dois pilotos da mesma equipe
disputavam o título com um azarão quase fazendo história, que também só perdeu
porque errou.
Todos erram. Raras são as temporadas perfeitas. De cabeça,
dá pra lembrar de Vettel, Schumacher, Hamilton, Verstappen. O desfecho do campeonato
não foi sobre quem errou mais ou menos. Qualquer narrativa pode ser válida.
Piastri errou na Austrália, bateu em Baku e sumiu na reta
final. Norris bateu no Canadá e teve o motor estourado na Holanda. Verstappen
bateu em Russell na Espanha, foi atropelado por Antonelli na Áustria e se viu
na turbulência do fim da era Horner até a metade do campeonato, quando se deu
conta de que poderia sonhar com a taça.
Ganhou o melhor carro. Parece pleonasmo ou alguém que descobriu
a pólvora, mas em 2025 é um fato. O melhor piloto da temporada não foi campeão.
Em 2012 não foi, em 2016 não foi também e tantos outros exemplos.
O grande mérito de Lando Norris foi crescer no pior momento,
o chamado clutch pós-Holanda, quando tudo parecia se encaminhar para Piastri. O
australiano deu uma de Webber (seu empresário) ou de Alonso contra Vettel? A
única pulga atrás da orelha é tentar compreender como alguém que quase foi irrepreensível
até Baku virou um Irvine no momento mais decisivo do certame.
Méritos para Norris, que foi um Hakkinen de 1999. Campeão “culposo”.
Errou, mas brilhou quando poderia e quando precisava. Aliás, uma terrível coincidência,
sempre ela: o cara simplesmente já é o que mais correu pela McLaren na
história. Fruto de longas temporadas, os números evaporam com nossa tendência saudosista
de proteger nosso passado perfeito.
Escrevi aqui, em 2017, para ficarmos de olho em Lando. Pois
bem, o título veio quase uma década depois. Mesmo assim, não parece ser o
melhor da atual geração. Excluindo Max, vejo Charles e Russell com mais
ferramentas, mais completo. Norris tem o principal: o carro.
O trunfo é de Zak Brown. Há dez anos, o grande momento da
McLaren no ano era Alonso brincar de cameraman em Interlagos depois do motor
Honda pifar e ser alvo de chacota por anos. A reestruturação veio junto com o
retorno do papaya, culminando no 13° título de pilotos da história, 17 anos depois
daquele título de Hamilton em Interlagos, sempre no detalhe.
Quem aproveita a chance entra para a história. Não sabemos o
que o novo regulamento nos aguarda. Alguém se importa com a carreira de Jacques
Villeneuve depois de 1997? Pois bem...
Agora a pressão está em Piastri. Será que ele reage ou fica
oficializado como o David Coulthard/Mark Webber da nossa geração? Em talento, é
muito superior a ambos. Tem condições de personalidade e de política interna
para ambicionar algo a mais? Só o tempo irá responder.
O bicho papão foi domado pelos problemas do próprio time. Nunca
é demais para reiterarmos: jamais duvidar de Max Verstappen, aquele que
consegue ter uma temporada maior quando é vice do que em 2023. É assim que os campeões
são feitos, respeitados e imortalizados na memória dos fãs.
Aguardemos o que 2026 e a nova era da F1 tem a nos oferecer.
22 carros na pista é um sinal positivo. Só falta voltar com Sepang e eliminar
95% desses circuitos de rua horríveis, tirar o protagonismo de Abu Dhabi e diminuir
o calendário de março para outubro. Corrida demais torna algumas etapas
altamente dispensáveis até para o curso do campeonato.
Parabéns para o escolhido de Zak Brown há quase uma década: a
Inglaterra e a McLaren tem um novo campeão do mundo.
Até!
